segunda-feira, 30 de julho de 2012

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Glenn Branca, badass…





















(sobre o show de Glenn Branca Ensemble no SESC Belenzinho, 25/07/2012)


A julgar pelo modo nada carinhoso com o qual o lendário Glenn Branca se dirige a seus músicos, tal como se comprovou durante a apresentação de ontem, seu concerto conta não com um ensemble, mas com algo próximo de uma "grande família (no pior sentido do termo). "Parente é serpente", diz o ditado. Suado, barba por fazer, metido num terno amarrotado, Branca entra no palco resmungando, entre partituras, garrafas d'água e refrigerantes. O semblante dos músicos não é dos melhores, mas aquilo que parecia concentração se transforma em constrangimento. Branca bate boca com um dos guitarristas, o clima fica tenso ("what do you think I'm talkin' about, my dick!", entredentes). Mexe nas partituras, os músicos se ajeitam e, quando menos se espera, silêncio. Silêncio, olhares atentos e mais silêncio… Então, uma maçaroca sonora toma conta do teatro do Sesc Belenzinho, fazendo com que  a plateia, que até então apenas assistia perplexa as movimentações no palco, seja tomada por um sentimento de apreensão. Os aplausos são relativamente tímidos, ainda contaminados pelos acontecimentos curiosos que marcaram o início da apresentação. Mas a sequência já revela a outra faceta do trato familiar: Branca ensaia com o baterista algo como uma brincadeira ("it's ok, it's ok…), o guitarrista, alvo dos esporros, ajeita o boné e esboça um sorriso. E então, se inicia a segunda peça da noite, "The Tone Row That Ruled The World" (do disco de 2010, The Ascension: The Sequel), que já obtém uma resposta efusiva da plateia. A partir daí, Branca se solta, bem como seus músicos e a plateia. "Lesson N. 03 (Tribute to Steve Reich)", do mesmo álbum, marca esse ponto de virada, com suas reviravoltas rítmicas e harmonias dissonantes. De costas para a plateia, Branca rege sua orquestra ora agarrado à banqueta de partituras, agitando-a de forma insensata, ora contorcendo as pernas e fazendo gestos histriônicos com as mãos. Parece uma mistura de Pierre Boulez com Elvis Presley. "Lost Chords" encerra o concerto e, em um dado momento, Branca vai para o canto do palco e libera os músicos para o improviso. Ele se joga contra a parede e fica lá, de costas, como que delirando com a zoeira produzida por sua "família". E então o concerto acaba. Mas assim que o teatro se esvazia, e restam apenas alguns fãs, ele reaparece, virulento, pedindo "sem fanatismo, por favor!" Neste momento, eu estava do seu lado, ri e perguntei se ele se importava de bater uma foto. Ele disse: "bate logo, ora!" Não bati, mas resolvi encarar a fera. Pensei, "mas esse é o Glenn Branca, o nó cego do No wave, a força cerebral do pós-minimalismo, a referência máxima quando se trata de abordar as influências de bandas como Sonic Youth e The Ex." Comprei um CD e pedi para que ele assinasse. Sorrindo, Branca me pergunta se eu tinha apreciado o show, no que respondi "CLARO, foi incrível!" De repente, aquele monstro tinha se tornado dócil e inseguro, seus gestos se acalmaram, ele baixa a cabeça e assina com a mão trêmula: "Para Bernar...". Subitamente sua mão pára no meio da escrita, ele volta seus olhos para mim com certa violência e solta mais uma ofensa adorável:  "você já pagou por isso!!!?" "Sure Mr. Branca, sure…"


Bernardo Oliveira

terça-feira, 24 de julho de 2012

(crítica - disco) Om - Advaitic Songs [2012; Drag City, EUA]

























Antes de começar a falar a respeito de Advaitic Songs, quinto e mais recente LP do Om, permita-me traçar um breve panorama sobre a carreira de Al Cisneros: integra, ainda na década de 80, a banda crust Asbestos Death, que deu origem ao Sleep e ao clássico Holy Mountain. Com o final da banda, Cisneros monta o Om, acompanhado pelas baquetas do parceiro Chris Haikus. Gravam três discos de estúdio, além de um registro ao vivo em Jerusalem. Haikus bodeia e abandona Cineros em 2008, sendo substituído por Emil Amos que faz sua estréia em God is Good e traz uma nova sonoridade.

Logo de cara, percebe-se que Advaitic Songs é um disco com uma produção mais bem cuidada, quando comparado aos seus antecessores, e que a duração das músicas diminuiu drasticamente. Ao mesmo tempo, a estrutura progressiva permanece e o duo se mostra ainda mais criativo, compondo músicas bem mais complexas e recorrendo a outros instrumentos, como o cello. Faixas como "Addis"  e "Gethsemane" se enquadram perfeitamente na fórmula desse "novo" Om, uma atmosfera ainda mais introspectiva, em que as cordas criam texturas droneadas, acompanhadas por linhas de baixo e bateria sempre precisas. É pelo arranjo de cordas e a estética grave que o Om conquista, com destaque para a bela "Haqq al-Yaqin". Mas confesso que sinto falta do jeito retão do Haikus e das patadas que ele dava no ride quando ouço a pesada "State of Non-Return" (um petardo!).

Ouça State of Non-Return.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Dora Lives Mixtape

▲ L O H ▲

 01. new dreams ltd. initiation tape - forever? (introduction, pt.1)
02. dylan ettinger - lion of judah
03. tearist - headless [live on KXLU 88.9 FM Los Angeles (7-30-10)]
04. ///▲▲▲\\\ - beta tape warp
05. la vampires - no no no
06. maria minerva - ruff trade
07. felix kubin - lightning strikes
08. young cream - 0
09. zombelle & myrrh ka ba - bad creation

DOWNLOAD

quarta-feira, 18 de julho de 2012

terça-feira, 10 de julho de 2012

(crítica - disco) The Cigarettes - The Cigarettes (2012; Midsummer Madness/Locomotiva)



Quem acompanhou o "boom" do rock alternativo em terras brasileiras na primeira metade da década de 90, teve o privilégio de assistir a uma série de eventos que eu daria um braço para poder ter acompanhado. O lançamento do Nevermind, por exemplo: você se lembra do dia em que o videoclipe de "Smells Like Teen Spirit" foi exibido pela primeira vez na MTV Brasil? Eu, não. Na época, tinha pouco mais de seis anos de idade e estava muito ocupado aprendendo a escrever o meu nome em letra cursiva e a amarrar o cadarço do meu tênis. Tampouco me lembro dos escassos programas de rádio que traziam para os mais antenados bandas como Jesus & Mary Chain, Teenage Fanclub ou My Bloody Valentine. Em 1992, a banda Pin-ups se apresenta junto do Second Home no Garage (uma conhecida casa do Rio de Janeiro) e em 1993, o selo Rock it! lança o vinil "You", do já citado Second Home. Em 1994, o Brasil ganha uma Copa do Mundo, o Second Home encerra as atividades e o Cigarettes (do carioca Marcelo Colares) lança os seus primeiros registros em formato k7.

De volta ao presente, o novo disco do Cigarettes parece ter como público-alvo três gerações diferentes: o pessoal das antigas que acompanhou o auge das guitar-bands brasileiras, os pré-adolescentes da época que não acompanharam ou não tinham acesso ao que estava acontecendo no cenário alternativo e, por último, uma terceira geração formada por garotos e garotas que nasceram por volta de 1997, ano em que o debut Bingo foi lançado. Trocando em miúdos, esse novo disco do Cigarettes diz, ao mesmo tempo, "estou de volta", "dessa vez você não tem desculpa pra não me assistir ao vivo" e "muito prazer". As onze faixas que compõem o disco apresentam composições bem mais polidas do que as encontradas nos registros anteriores; trata-se de um álbum sólido, sem tantas melodias soltas ou desencontradas. A sonoridade de "Connected Overused" cativa, assim como a ponte quietinha de "Love Concept Alpha", que prepara o ouvinte para faixas mais inclinadas ao pop, como "We Are Alone" e "Older" – mas, é claro, sem abrir mão da atmosfera oriunda das guitarras, uma constante no trabalho da banda. Bem vindo de volta, Marcelo. Muito prazer, dessa vez não tenho desculpas para não te assistir ao vivo.

Thiago Miazzo
 

Metá Metá: “Laroiê Exu”

do álbum que está para chegar, batizado provisoriamente como Metal Metal (via Fita Bruta)

terça-feira, 3 de julho de 2012

Manezinho Araújo, o rei da embolada

"Pra Onde Vai Valente?" Participação do Rei da Embolada Manezinho Araújo no Filme "Amor para três", de 1959, dirigido por Carlos Hugo Christensen.




"Cuma é o nome dele?" (RCA Camden, 1974)

Kahn & Neek: "Percy"

 "Percy/Fierce", Bandulu, 2012