sábado, 22 de dezembro de 2012

Melhores de 2012: balanço geral


3 votos:

Metá Metá - Metal Metal

















Scott Walker - Bisch Bosch















Sun Araw, M Geddes Gengras, The Congos – FRKWYS Vol. 9: Icon Give Thank


















2 votos
Dean Blunt & Inga Copeland - Black is Beautiful
Godspeed You! Black Emperor – Allelujah! Don’t Bend! Ascend!
Grizzly Bear – Shields
Royal Band de Thiès – Kadior Demb
Siba – Avante
Tom Zé – Tropicália Lixo Lógico

1 voto
9th Wonder & Buckshot – The Solution
Aaron Dilloway – Modern Jester
Actress – R.I.P
Alberich – Fall Where They Would
Alexei Lubimov, Natalia Pschenitschnikova – John Cage: As It Is
Andras Schiff - Das Wohltemperierte Clavier (gravação da ECM)
Andy Stott - Luxury Problems
Bill Fay – Life Is People
Black Pus – Pus Mortem
Bob Dylan – Tempest
Borko – Born To Be Free
Bronze Age – Antiquated Futurism
Burial - Kindred EP
Caetano Veloso – Um Abraçaço
Chelpa Ferro - Chelpa Ferro 3
Chinese Cookie Poets – Worm Love
Dan Deacon – America
Dean Blunt – The Narcissist II
Demdike Stare – Rose
Dirty Projectors - Swing Lo Magellan
Dolphins Into The Future – Canto Arquipélago
Dona Onete - Feitiço Caboclo
Eli Keszler/Keith Fullerton Whitman (Split)
Eliane Radigue - Feedback Works
Elma – Elma LP
Estudantes – Pedra Portuguesa na Sua Cabeça
Fausto Romitelli – Anamorphosis
Fenn' O Berg - In Hell
Fiona Apple - The Idler Wheel...
Florian Hecker – Chimerization
Frank Ocean - Channel Orange
Grimes – Visions
Helm - Impossible Symmetry
Hurtmold - Mils Crianças
Jan Jelinek - PrimeTime
Jim O' Rourke - Old News #8
JK Flesh & Prurient – Worship is the Cleansing of the Imagination
John Zorn - Music and It's Double
Julia Holter - Ekstasis
Juliana Perdigão – Álbum Desconhecido
Kamau - ...Entre...
Keith Fullerton Whitman - Generators
Kendrick Lamar - good kid m.A.A.d city
Kevin Drumm - Relief + The Whole House
Kim Kashkashian – Kurtág/Ligeti: Music for Viola
Koo Nimo – Highlife Roots Revival
Laurel Halo - Quarantine
Mater Suspiria Vision – Inverted Triangle III
Moritz Von Oswald Trio - Fetch
Morton Feldman - Crippled Symmetry: At June in Buffalo
Negro Léo – The Newspeak
Neneh Cherry and The Thing - Cherry Thing (+ remix Sudden Moment feito por Merzbow)
Pete Swanson – Pro-Style
Pole - Waldgeschichten 2/3 (+ Roll The Dice meets Pole)
Psilosamples – Mental Surf
Raime – Quarter Turns Over a Living Time
Regis – Death Head Said
Richard Bishop - Intermezzo
Rodrigo Campos - Bahia Fantástica
Silent Servant – Negative Fascination
Sobre a Máquina – Sobre a Máquina
Swans – The Seer
Vatican Shadow – September Cell
Vladislav Delay - Kuopio
Witchboy – Le Universe Perverse 

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Melhores de 2012: Sávio de Queiroz

Primeiro, peço desculpas pelo pequeno atraso - fui capturado por um virose "escrota".

Para alguém com memória fraca como eu, fazer listas é um dever complicado. Complicado até por ser sempre injusto - sempre esquecemos algo de muito importante por não achar que caiba ou por puro esquecimento. Muita coisa boa ficou de fora (KTL, Shackleton, Four Tet) - seja por tentar ser muito criterioso, seja por simplesmente não ter tido a chance de ouvir - já que o número de lançamentos tem crescido em uma velocidade assustadora.

Sem me ater muito a esses detalhes, passo logo às listas - de shows e de discos. Não farei uma de canções isoladas por julgar esta uma tarefa impossível - a maioria das canções que costumo escutar fora do contexto dos discos não são recentes. Nenhuma das listas será ordenada por preferência ou qualquer outro critério consciente. Em negrito, os 11 discos essenciais na minha opinião.


  • Melhores Shows de 2012: 

Kevin Drumm na Audio Rebel


Andras Schiff (Theatro Municipal RJ)
Concert Koln com Matthias Goerne (Theatro Municipal RJ)
Portishead (Hipodromo Cappanelle - Roma)
John Zorn's Masada (Espaço Tom Jobim)
Kevin Drumm (Audio Rebel)
Lichens (Audio Rebel)
Eddie Prévost e John Butcher (CCSP - SP)
Peter Brottzmann, Steve Noble, John Edwards (SESC Belenzinho)
Glenn Branca (SESC Belenzinho)
Ryuichi Sakamoto + Alva Noto (Sónar SP)
KTL (Sónar SP)
Kraftwerk (Sónar SP)
Thurston Moore (Circo Voador)
Dirty Projectors (Circo Voador)
Pole (Oi Futuro Ipanema)

shows, infelizmente, perdidos: Meta Metá (Oi Futuro Ipanema), Bang on a Can (Inhotim), ICP (CCSP) e Oval (Trackers - SP)


  • Melhores Discos de 2012:

Arquivo Novo/ Relançamentos:

Willian Basinski - The Disintegration Loops (Vinyl Boxset)
Jim O' Rourke - Old News #8
Can - The Lost Tapes
Steve Lacy - The Sun
Eliane Radigue - Feedback Works
Laurie Spiegel - The Expanding Universe
Daphne Oram - The Oram Tapes: Volume One
Charles Mingus - The Jazz Workshop Concerts 1964-65
Porter Ricks - Biokinetics
Monoton - Monotonprodukt
John Cage - Shock
Royal Band de Thiès - Kadior Demb


Jim O' Rourke

Lançamentos:

Grizzly Bear - Shields (+ Saint Nothing e Golden Mile de Daniel Rossen)
Neneh Cherry and The Thing - Cherry Thing (+ remix Sudden Moment feito por Merzbow)
Fiona Apple - The Idler Wheel...
Dirty Projectors - Swing Lo Magellan
Scott Walker - Bisch Bosch
Meta Metá - METAL METAL
Burial - Kindred EP


Fiona Apple

Moritz Von Oswald Trio - Fetch
Keith Fullerton Whitman - Generators
Godspeed You! Black Emperor - Alellujah! Dont Bend! Ascend!
Pole - Waldgeschichten 2/3 (+ Roll The Dice meets Pole)
Kevin Drumm - Relief + The Whole House
Andy Stott - Luxury Problems
Helm - Impossible Symmetry
Fenn' O Berg - In Hell
Vladislav Delay - Kuopio
Jan Jelinek - PrimeTime


Kim Kashkashian

Fausto Romitelli – Anamorphosis
Kim Kashkashian – Kurtág/Ligeti: Music for Viola
Andras Schiff - Das Wohltemperierte Clavier (gravação da ECM)
Morton Feldman - Crippled Symmetry: At June in Buffalo
Alexei Lubimov, Natalia Pschenitschnikova – John Cage: As It Is
John Zorn - Music and It's Double


Considerações Finais:

1. Pela lista, reparo que foi um ano bastante fraco tanto para o jazz como para o rock. Na lista apenas 3 lançamentos guardam uma ligação mais direta com um desses gêneros: Grizzly Bear, GY!BE e Moritz Von Oswald.

2. Apesar da pequena representação, creio que a cena local tem evoluído bastante, com diversos shows e lançamentos bem interessantes. Se esses não aparecem na lista, é porque estou colocando todos em pé de igualdade. Destacaria sobretudo dois discos: os últimos do Chelpa Ferro e Sobre a Máquina.

3. É desnecessário dizer que um disco como Bisch Bosch é mais importante que o último lançamento da Fiona Apple. Mas com a lista, estou sendo honesto em relação a certos discos que acabei por ouvir bastante em pelo menos algum período do ano. Ao mesmo tempo, como um resumo para ser levado além do ano, existe também a tentativa de olhar um pouco adiante, de tentar saber aquilo que indicará os caminhos.

4. Compilando essa lista, me pareceu bem claro um certo "esgotamento" da música drone. É possível argumentar que justamente agora ela se torna realmente popular, com aparições constantes em quase todos os filmes alternativos e circulação por maiores espaços. Mas não há muito mais o que oferecer - pelo menos vindo dos artistas que pensam sua música obedecendo demais as bases do gênero. Os bons títulos lançados nesse ano que poderiam se encaixar no rótulo apresentam elementos que os distanciam bastante deste . Um exemplo seria o lançamento do KTL, com seus arranjos de cordas - algo que O'Malley ja vinha utilizando há algum tempo com o Sunn 0))) - e suas harmonias que chegam a inspirar algo épico, épico em um sentido menos obscuro, utilizando harmonias mais abertas do que o esperado.

Se o drone apresentava antes um certo risco, agora parece apenas o jeito mais seguro de se fazer música  de "vanguarda".


Sávio de Queiroz

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Melhores de 2012: Arthur Dantas



Primeiro texto aqui no blog, vamos às apresentações: meu nome é Arthur Dantas, 34, mineiro por opção, carioca de residência, a favor da paz, do amor, das meninas bonitase da esperança. Recebi o convite do Bernardo Oliveira (aka Jorge Aragão jovem) com muito orgulho, já que aqui nesse espaço só publicam bambas. É o caso de se perguntar se eles resolveram botar as crianças pra brincar com os adultos...

Primeiro de tudo: por favor não levem muito a sério essa lista porque nem eu mesmo levo tão a sério meu julgamento. Prefiro que entendam essa lista mais como um ato de generosidade, já que, como nem todo mundo que lê este blog me conhece, fica a dica de uns lances bacanas pra correr atrás e ouvir. Acho que o importante é entender de onde vem meu senso crítico pra avaliação cultural e, assim sendo, lá vai: meu porto seguro e minha visão de mundo foram criadas a partir de uma perspectiva punk rock. Depois, veio o free jazz e o samba norteando minhasreflexões. Mas a questão da integridade, de criar música para além de demandas de mercado e pensar arte como exceção e não como regra veio do punk - tá bem, tá bem: isso é Godard!

Tanto no Brasil como lá fora, nota-se trabalhos FODAS na seara do punk/hardcore. Isso acaba por pavimentar a sensibilidade de um amigo que diz que o punk inglês pós geração Sex Pistols/Clash e o hardcoreestadunidenses caminham a passos largos pra virarem “classic rock” no próximo biênio. Pela movimentação da indústria cultural estrangeira, faz muito sentido.

Minha lista nacional, ainda que encabeçada por mestres de ontem e de hoje nas 3 primeiras posições, reflete muito do meu entusiasmo com a cena carioca atual. Na gringa, nunca a música eletrônica (seja lá o que isso queira dizer) teve tanta proeminência no meu gosto pessoal.

Dos relançamentos, atenção total ao disco do Plínio Marcos que acaba por apresentar uma geração toda esquecida de bambas paulistas. É uma chance rara de entender e muito um Kiko Dinucci e um Ogi, por exemplo. O álbum do Don Cherry é uma aula de como fazer um trabalho multicultural sem soar como um palhacinho do sistema, tentando navegar na onda do momento, seja ela oriunda da África e da Ásia. É um trabalho de diálogo com a tradição sem condescendência, com tempero forte de autor.

Nos livros, temos um trabalho sem precedentes como o do Rodrigo Mehreb comentando a revolução sessentista do rock mundial com muita propriedade e PESQUISA. Todo mundo que quer se meter a escrever um trabalho de fôlego sobre música deveria ler esse livro, assim como quem quer exercer crítica cultural de forma mais ampla deveria conhecer os trabalhos do Fred Coelho. Assim como os livros de Paulo Lins e Nei Lopes indicados são muito valiosos no sentido de criar uma visão ficcional que pensa a civilização brasileira a partir de uma perspectiva musical. A saber: o  nascimento do samba no Rio de Janeiro.

O álbum de outtakes do Lungfish entra como estrela solitária na minha votação, porque diz muito do meu gosto pessoal e fala muito sobre algo que nunca consegui entender: como esse quarteto de Washington D.C ainda não passou por uma reapreciação crítica?? Daniel Higgs é fatalmente uma das maiores vozes e um dos maiores letristasde rock de todos os tempos!

Por fim, nos vídeos, destaque absoluto pro vídeo voluptoso do Don L (um rapper de Fortaleza que tenho certeza será destaque em 2013), e para o recém-lançado clipe da faixa “Patrão”, do Ordinária Hit, o mais importante combo de música/políticaradical na América Latina. O vídeo - aterrador - fala por si só - com direito à citação de Minor Threat!


DISCOS DO ANO - 2012:

BRASIL
01. Metá Metá – Metal Metal
02. Siba – Avante
04. Tom Zé – Tropicália Lixo Lógico
05. Psilosamples – Mental Surf
06. Elma – Elma LP
07. Kamau - ...Entre...
08. Estudantes – Pedra Portuguesa na Sua Cabeça
09. Caetano Veloso – Um Abraçaço
10. Negro Léo – The Newspeak
11. Juliana Perdigão – Álbum Desconhecido
12. Rodrigo Campos - Bahia Fantástica
13. Chinese Cookie Poets – Worm Love
14. Hurtmold - Mils Crianças
15. Dona Onete - Feitiço Caboclo

Amabis . Trabalhos Carnívoros / Ba Kimbuta – Universo Preto Paralelo / Céu - Caravana Sereia Bloom / Cidade Cemitério - Asa Morte / Constantina - Pacífico / Curumin – Arrocha / Getatchew Mekuria & The Ex + Friends - Y'Anbessaw Tezeta / Jair Naves - E Você Se Sente Numa Cela Escura, Planejando A Sua Fuga, Cavando O Chão Com As Próprias Unhas / Lucas Santanna - O Deus Que Devasta Mas Também Cura / Lupe de Lupe – Sal Grosso / Maga Bo - Quilombo Moderno / Merda – Indio Cocalero / O Inimigo – Imaginário Absoluto / Otto - The Moon 1111 / Pazes - Limbo / Renegades Of Punk - Coração Metrônomo / Rodrigo Campos - Bahia Fantástica / Sambanzo- Etiópia / Sobre A Máquina - “Sobre A Máquina” / Supercordas - A Mágica Deriva Dos Elefantes / Test - Árabe Macabre / Tulipa Ruiz – Tudo Tanto


MUNDO
01. Scott Walker - Bish Bosch         
02. Bill Fay – Life Is People
03. Dan Deacon – America
04. Actress – R.I.P
05. Richard Bishop - Intermezzo
06. Black Pus – Pus Mortem
07. Kendrick Lamar - good kid m.A.A.d city
08. Bob Dylan – Tempest
09. Godspeed You! Black Emperor – Allelujah! Don’t Bend! Ascend!
10. Sun Araw & M Geddes Gengras meet The Congos - Icon Give Thank    
11. Dean Blunt & Inga Copeland - Black is Beautiful
12. Frank Ocean - Channel Orange
13. Borko – Born To Be Free
14. Swans – The Seer
15. 9th Wonder & Buckshot – The Solution

Actress – R.I.P / Ariel Pink – Mature Themes / Dirty Projectors - Swing Lo Magellan / El-P – Cancer 4 Cure / Gonjasufi — MUZZLE / Josephine Foster - Blood Rushing / JJ DOOM - Key to the Kuffs / Laurel Halo - Quarantine / Lean Left - Live at Café Oto / Mala – Mala in Cuba /Nas - Life is Good / Neurosis – Honor Found In Decay/ Squarepusher – Ufabulum / X-TG - Deserthore/The Final Report / Wadada Leo Smith - Ten Freedom Summers / White Lung – Sorry / Alasdair Roberts & Friends – A Wonder Working Stone


Relançamento:
Plínio Marcos em Prosa e Samba – Com Geraldo Filme, Zeca da Casa Verde e Toniquinho Batuqueiro
Don Cherry - Organic Music Society
Dicks - All Reissues
Roxy Music - The Complete Studio Recordings 1972-1982
Charles Mingus - The Jazz Workshop Concerts 1964-1965   

EP/Single:
Amiri – Êta Porra!
Renegades Of Punk - Coração Metrônomo
“Pre Ambulatório EP” – Lê Almeida
Garage Fuzz . Warm & Cold
“Serenata” – Bemônio
Hype Williams – London 2012
M. Takara – Baladas EP
M. Takara – Fantasma EP
Psilosamples - “Chorumelody”

Hour Concours:
Lungfish – ACR 1999

Livros:
O Som da Revolução - Rodrigo Mehreb (Civilização Brasileira)
Desde Que o Samba é Samba - Paulo Lins (Editora Planeta)
A Lua Triste Descamba - Nei Lopes (Pallus)

Shows:
The Ex - Disco Hyppe / Pouso Alegre (MG)
Paulinho da Viola 70 Anos e Velha Guarda da Portela – Parque Madureira / RJ
Metá Metá – Oi Futuro Ipanema/RJ
Hype Williams – Novas Frequências / RJ
Criolo e Emicida - SESC Pompeia / SP
Kevin Drumm - Audio Rebel / RJ
Ordinaria Hit - Disco Hyppe / Pouso Alegre (MG)
Estudantes - Audio Rebel / RJ
Chinese Cookie Poets – Audio Rebel / RJ
The Eternals - Audio Rebel / RJ
Blonde Redhead - CCJ / SP
Jards Macalé - Ocupação do Canecão / RJ

Vídeos: 

X-TG & Antony Hegarty – "Janitor of Lunacy"




Scott Walker – "Epizootics!"




Ordinaria Hit – "Patrão"




Don L Feat. Flora Matos – "Sangue é Champanhe"


Don L. feat. Flora Matos - "Sangue é Champanhe" from LuckyBastardsInc on Vimeo.

Arthur Dantas

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Melhores de 2012: Thiago Miazzo



Quando eu era criança, gostava do final de ano por causa do Panetone, hoje eu gosto mesmo é das listas de final de ano. Alguns discos dessa lista foram inclusos no começo do ano e aguentaram até o final, outros chegaram agora, aos quarenta e cinco do segundo tempo. Dou maior valor àqueles que conseguiram levar a maratona 2012 na maciota, sem se deixar engolir pela enchurrada de lançamentos - no pódio, Aaron Dilloway, Grimes e Dolphins Into The Future tomam um merecido banho de champagne. Outros entraram na marra, chegaram junto sem pedir licença. Dá pra dizer “não” para um split entre Justin Broadrick (JK Flesh) e Dominick Fernow (Prurient), disponível para stream em meados de dezembro? Eu já havia alertado que esse álbum bagunçaria as listas; bagunçou a minha, e meu coração <3 , haha. Um caso semelhante ocorreu após o festival Novas Frequências: depois de assistir à apresentação de Dean Blunt e Inga Copeland, não senti remorso algum em meter dois discos da marca Hype Willa na lista. Coladinhos, que é pra um não sentir ciúme do outro. Kris Lapkes também apareceu duas vezes, assinando como Bronze Age e Alberich.

Também tiveram aqueles que eu torci pra entrar, mas não rolou. Aquele olhar apreensivo, o suor da expectativa, e a frustração extravasada através do UHHHHHHHH gemido em uníssono pela torcida após uma bola na trave. O favorito James Ferraro ameaçou o ano inteiro entrar, mas não fez nenhum disco tão foda assim e eu acabei na mão ouvindo Skaters. The Seer - disco mais recente do Swans - também não me fisgou, e o How to Dress Well peidou com o chatinho “Total Loss”. Fazer o quê? Em contrapartida, alguns artistas desembestaram a lançar discos, todos tão bons que fica até difícil escolher. Dentre os lançamentos do Vatican Shadow, optei pelo September Cell por se tratar de um disco de transição, aquele que melhor reflete o direcionamento adotado por Dominick. O produtor inglês Regis me fez garimpar suas trocentas compilações lançadas ao longo do ano. Esse mergulho no techno abriu espaço para outros discos listados, como o “Negative Fascination” e o último do Raime. Já no Brasil, o querido Cadu Tenório perdeu a linha, lançando uma pá de álbuns sob uma série de pseudônimos, deixando-me entre a cruz e a espada com o “This is What You Love...” (lançado como VICTIM!) e o novo do Sobre a Máquina.

Foi um ano agitado, e a equipe do Matéria se desdobrou para manter os leitores por dentro do que rolava no Brasil e fora dele. Não foram poucas as noites em que terminei uma resenha escovando os dentes para cair na cama e dormir duas horinhas antes de acordar para ir trabalhar. Obrigado às bandas pela boa música, aos leitores, blogueiros, o parceiro Bernardo Oliveira, o récem-chegado Sávio de Queiroz e o Matéria honorário Antônio Marcos Pereira. Todos nós fazemos parte disso. A seguir, os meus vinte favoritos de 2012:

01)  Aaron Dilloway – Modern Jester
02)  Grimes – Visions
03)  Dolphins Into The Future – Canto Arquipélago
04)  Dean Blunt and Inga Copeland – Black is Beautiful
05)  Dean Blunt – The Narcissist II
06)  Bronze Age – Antiquated Futurism
07)  Vatican Shadow – September Cell
08)  Raime – Quarter Turns Over a Living Time
09)  Alberich – Fall Where They Would
  10)  Silent Servant – Negative Fascination


  11)  Laurel Halo - Quarantine
  12)  JK Flesh & Prurient – Worship is the Cleansing of the Imagination
  13)  Sobre a Máquina – Sobre a Máquina
  14)  Regis – Death Head Said
  15)  Sun Araw, M Geddes Gengras, The Congos – FRKWYS Vol. 9: Icon Give Thank
  16)  Julia Holter - Ekstasis
  17)  Witchboy – Le Universe Perverse                   
  18)  Mater Suspiria Vision – Inverted Triangle III
  19)  Pete Swanson – Pro-Style
  20)  Demdike Stare – Rose


E as quarenta músicas:

01)    A parte Elétrica – Elma
02)    Al-Azhar – Pyramids of MU
03)    Al-Qaeda Possess Nuclear Capacity – Vatican Shadow
04)    Árabe Macabre - Test
05)  Assume Nothing – Regis
06)  Body Chaos - Aaron Dilloway
07)  Cairo is a Haunted Place - Vatican Shadow
08)  Caught Feelings - Dean Blunt   
09)     Crack Pipe Warlocks - CRACKULA
10)  Crowd – VICTIM!
11)  Ecstasy Slave – Prurient
12)  En La Mano del Payaso – Chinese Cookie Poets
13)  End of the World – LA Vampires with Maria Minerva
14)  Eyeball – Witchboy
15)  Genesis – Grimes
16)  Goddess Eyes II – Julia Holter
17)  Happy Song – Sun Araw, M. Geddes Gengras, The Congos
18)  HARD ROCK ZOMBIES FINAL FANTAZY [LVE is A Blue Velvet CadillaC] - Afrika Pseudobruitismus
19) I Understand You - Prurient
20)  Il Labirinto del Sesso – Mater Suspiria Vision
21)  Irene – Sun Arawma
22)  It’z Crack – Traxman
23)  Kindred - Burial
24)  Le Universe Perverse – Witchboy
25)  Lil Boy – Death Grips
26)  Nightmusic (feat. Majical Drumz) – Grimes
27)  Nova – Burial + Four Tet
28)  Numb – Mater Suspiria Vision feat. Carmen Incarnadine
29)  Pepsi Van – Mediafired
30)  Pro-Style (VIP) – Pete Swanson
31)  Oblivion – Grimes
32)  State of Non-Return – Om
33)  Stomach Pump – Aaron Dilloway
34)  Surviving Cultural Impedance – Bronze Age
35)  Thaw – Laurel Halo
36)  The Narcissist (feat. Inga Copeland) – Dean Blunt
37)  Torn Straps – Cremation Lily
38)  Trauma #3 – VICTIM!
39)  Winners Take All – Inner Tube
40)  YYU - YYYY

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Melhores de 2012: Bernardo Oliveira

























- Não me espantam os suspiros saudosistas de Neil Young em sua autobiografia. Ele afirma ter piedade pelas novas gerações, habituadas a escutar arquivos digitais com apenas 5% de toda a potência de uma gravação analógica. Outros vão além, como a jornalista Lorena Calábria, que em seu Twitter, desabafou: “Parem de vazar tantos discos!” O que eles reivindicam é a restituição universal de uma experiência radicalmente conjectural, qual seja: comprar um disco de vinil, levá-lo para casa, escutá-lo com calma, fruindo cada sonoridade, cada detalhe da capa, o cheiro do material… Na extinção daquilo que lhe é familiar, a reação é o gesto mais previsível.

- Quais seriam os critérios objetivos que permitiriam postular a respeito da experiência alheia? Digo, o fato de que podemos tomar contato com todo um discurso baseado em critérios científicos a respeito, por exemplo, da noção de “alta fidelidade”, deveria necessariamente interditar a possibilidade de percebermos (ou até nos permitimos perceber) outros tipos e níveis de fruição, apropriacão, utilização e contemplação?

- Cultura é uma palavra hoje incomodamente atrelada não só ao grande capital, mas ao capital como fundamento inquestionável da produção de subjetividades. Sem dúvida que, para uma parcela imensa das pessoas que ouvem/consomem música, o circuito permanece atado acriticamente a esta realidade. Difícil negar, contudo, que a fragmentação e a comunicação veloz e autônoma, a despeito de sua filiação ao capital, contraria paradoxalmente a política esquálida do show business e da indústria fonográfica. Apostar em quadros hegemônicos se tornou mais difícil...

- Minha geração viveu esses dilemas como quem se encontra imerso em estado de contemplação. Nos situávamos sobre a linha limítrofe entre a trinca vinil-cassete-rádio e o surgimento da cultura digital. Fui e ainda sou um rato de sebo, além de cultivar obsessões similares as dos que reivindicam a audição à moda antiga — todas afinadas com as prerrogativas do grande capital. Contudo, não abro mão de duas convicções, ainda que não as ofereça como juízo de valor: 

a) a interação entre cultura online e cultura digital abalou e pode abalar ainda mais as bases da produção e da fruição cultural depositadas sobre o valor-mercadoria. "O que isso quer dizer" e "onde vai desembocar" são perguntas inadequadas, pois não levam em consideração a correspondência simétrica entre intercâmbios possíveis que marcam a experiência contemporânea. Uma coisa é certa: isso "vai dar" em algo, contudo em algo perempto, com data, hora e local marcado. 

b) a forma e a função da música no passado não se tornou obsoleta, mas corre em paralelo, compõe com outras formas — e isso diz respeito tanto à noção de “audiofilia”, como na dimensão subjetiva da experiência musical. Por exemplo, a cultura sound system, e particularmente o funk carioca, voltadas exclusivamente para a dança e a fruição dos graves, foram responsáveis por outros usos não só dos gadgets eletrônicos, como também das práticas ligadas à produção musical. 

- As instâncias de avaliação mudam a todo instante, para trás e para frente, depende da posição, do observador, do calor do momento: a própria perspectiva é conflituosa. A condição contemporânea — o conflito de múltiplas perspectivas como a fórmula ontológica e política do acaso — leva o "consumidor" cultural a experimentar inclusive formas de fruição e acesso que desafiam o grande capital.

- O “conservador”, ao afirmar o presente como indigno do passado, é, ele mesmo, componente fundamental desta cifra. Mesmo a contragosto, ele conserva o sentido do tempo presente: inevitável mover-se para frente, mesmo pensando para trás...

- Por mais que uma parcela da vida tenha se modificado significativamente com a interação entre cultura digital e cultura online, ainda estamos diante de uma cifra, multiplicidade de experiências simultâneas, possíveis. Mas que fique claro: antes de um ideal de conciliação, cross-cultural quer dizer conflito.

***

Concentrei na lista intitulada DAS GALÁXIAS tudo o que mais me pareceu essencial e impressionante em 2012, sem ordem de preferência e proveniente de formatos e naturezas diversas (CDs, singles, EPs, Soundclouds, MySpaces, Bandcamps, arquivos digitais).  Depois, listo 50 discos, 100 faixas, 20 Eps/singles/splits, 20 Coletâneas/relançamentos/antologias e 20 shows. 

Guia de viagem. Bula. Mapa astral. Carta de navegação. Contato. Câmbio.

***

2012: DAS GALÁXIAS


















Avante, álbum e faixa  – Siba (s/g, Brasil)
Do cruzamento assimétrico entre a música da Zona da Mata com o rock de Recife e da jovem guarda, nasceu Avante, mais um trabalho primoroso de Siba Veloso. Siba compõe suas canções dentro de metrificações e estruturas harmônicas da toada, do coco, do maracatu, do galope e de toda uma tradição cultural outrora relegada ao registro folclórico. Experimentando novas roupagens sonoras, com a utilização de vibrafone, tuba e guitarra, vivifica e renova o sentido dessas tradições. Além da belíssima “Qasida”, afromaracatu de espertíssimas divisões rítmicas, vale destacar os versos e o arranjo da canção-título. (http://materialmaterial.blogspot.com.br/2012/02/critica-disco-siba-avante-2012-sg.html)




FRKWYS Vol. 9: Icon Give Thank e “Happy Song” – Sun Araw, M. Geddes Gengras, The Congos (RVNG Intl., Jamaica/EUA)
“Como em um processo positivo e inesperado de desenraizamento das sonoridades tradicionais, ocorre a relativa intensificação do sentido contemplativo do canto nyabinghi e das percussões, tocadas por Roydel e Negus Johnson, amparadas pela trama difusa de violões, sintetizadores e efeitos. O trabalho magistral de edição e composição das bases empresta um recorte ordenado a este ambiente rico em sonoridades, de modo a favorecer as canções, ao que tudo indica compostas em parceria: o núcleo norte-americano encarregando-se do instrumental, enquanto os jamaicanos elaboram os arranjos vocais e as letras.” (http://www.factmag.com/pt/2012/06/04/sun-araw-m-geddes-gengras-meet-the-congos-frkwys-vol-9-icon-give-thank/)




Eli Keszler/Keith Fullerton Whitman (Split) (NNA Tapes, EUA)
“Pode-se afirmar que com pontilismo de “Occlusion”, Whitman se deixou contaminar pelo aspecto maquinário e frenético da percussão de Keszler, cujos elementos batizam as faixas: “Drums, Crotales, Installed Motors, Micro-Controller Metal Plates” ou “Bowed Crotales, Snare Drum”. Mosaicos sonoros compostos por timbres indigestos, criando momentos de grande tensão, mas sempre vigorosos.” (http://materialmaterial.blogspot.com.br/2012/04/minicronicas-discograficas-18.html)




Tropicália Lixo Lógico – Tom Zé (Passarinho, Brasil)
“Com Tom Zé, aprende-se de saída que a teoria não é privilégio da academia. Arrancando desabusadamente o exercício teórico da pesquisa universitária, Tom Zé fomentou sua convergência com a poesia e a música como forma de promover uma dupla emancipação: a canção deixa de ser prisioneira dos temas fáceis e recorrentes, ao passo que a teoria pode galgar outras perspectivas, sem necessariamente prestar contas aos afiançadores do saber. A canção é, neste sentido, a catalisadora desta inversão de valores. Com seus procedimentos anárquicos, Tom Zé nos mostra que se a canção de fato morreu, foi de tanto rir.” (http://materialmaterial.blogspot.com.br/2012/11/tom-ze-tropicalia-lixo-logico-2012.html)




Chimerization – Florian Hecker (eMego, Áustria)
Ainda que o discurso nostálgico-saudosista prevaleça em muitos âmbitos, há sempre que se atentar para o trabalho de artistas que pesquisam e inventam algo para além da referência e da “retromania”. Como, por exemplo, Florian Hecker. Em seu último e desafiador trabalho, Chimerization, Hecker propôs colaboração com o escritor e filósofo iraniano Reza Negarestani, resultando em um libreto experimental intitulado “The Snake, the Goat and the Ladder (A board game for playing chimera)”. Recitado por um grupo de pessoas em três línguas diferentes (alemão, inglês e farsi), gravado por Hecker em uma câmara anecóica e manipulado com técnicas psicoacústicas, o trabalho tem por objetivo estimular no ouvinte, após audições sucessivas, o que está descrito no release como uma “audição ativa”. O procedimento resultou na desfragmentação criativa da palavra falada, borrandos as fronteiras que sustentam a preeminência identitária da linguagem sobre a técnica e os objetos da percepção.




Bish Bosch e o videoclipe para "Epizootics!" – Scott Walker (4AD, Reino Unido)
“É certo que Walker sobreviveu a quase todos os artistas que influenciou, o que nos autorizaria a atribuir-lhe esta propensão à demiurgia. Mas convém manter a singularidade de Bish Bosch, mesmo em relação ao autor que a tornou possível. Em uma época em que a performance e as demais possibilidades de criação artística são justapostas, fustigando os gostos mais conservadores, Bish Bosch pode até soar excessivo, disforme, doidivanas para além do tolerável. Mas dificilmente se pode negar que manifesta de forma contundente algo raro neste mundo tomado por conflitos e degeneração, qual seja: a decantada e indomável necessidade de ‘ir-além’.” (http://materialmaterial.blogspot.com.br/2012/12/scott-walker-bish-bosch-2012-4ad-reino.html)



“Mbeuguel Dafa Nekh” – Mark Ernestus Jeri-Jeri with Mbene Diatta Seck (Ndagga, Reino Unido/Senegal)
Do Senegal, o mbalax do grupo Jeri-Jeri e da cantora Mbene Diatta Seck. Da Alemanha, Mark Ernestus em busca de outras células rítmicas para suas viagens sonoras. Após a audição, muitas dúvidas: como os percussionistas marcam o tempo do mbalax? Como ocorrem aquelas mudanças repentinas, como se o andamento prosseguisse, mas o ritmo… atrasasse!? Os mistérios não são poucos nem pequenos, confirmados com outro single formidável, contendo “Xale”/”Daguagne”. Mas o aparecimento de “Mbeuguel Dafa Nekh” certamente constituiu o carro-chefe do selo Ndagga, fundado por Ernestus especialmente para a empreitada. 





Metal Metal – Metá Metá (Desmonta, Brasil)
“A armadura instrumental pode não deixar dúvidas, mas o que fazer diante do fato de que as dúvidas simplesmente desmoronam? Basta assimilarmos uma realidade improvável, segundo a qual teriam marcado encontro na mesma encruzilhada, sob a bênção de todos os orixás, a radicalidade do improviso jazzístico de Peter Brötzmann, o peso do Black Sabbath, os afrosambas de Vinícius e Baden Powell, os detritos sonoros do drone, os ruídos no wave, a pegada do punk e do metal, a música da umbanda e do candomblé, as dissonâncias de Arrigo e Sonic Youth, a pujança do tambor de mina, da ciranda, da umbigada, o canto das três raças, o cinema falado, a escola de samba e a onipresença de Benedito João dos Santos Silva Beleléu, vulgo Nego Dito, cascavé, ensinando a bater cabeça no sobressalto do afoxé, e a fazer riff de metal no galope acertado de um “batuque” de cordas e sopros…”
O texto acima foi publicado no Matéria por ocasião dos shows do grupo no Rio. Abaixo, uma apresentação que aguçou o interesse pelo trabalho. Baixe o disco aqui.
(http://desmonta.com/noticias/meta-meta-metal-metal-dsm012/)



Kadior Demb – Royal Band de Thiès (Teranga Beat, Senegal) 
A história segue um rumo comum nos dias de hoje: pesquisador e DJ grego Adamantios Kafetzis vai parar em Thiès, cidade pequena a 40 milhas de Dakar, Senegal. Lá, se depara com a Royal Band de Thiès e seu representante, o cantor Adam Seck (ou Secka), que fundou o grupo em 1972 com Mapathe Gadiaga. Ao DJ é revelado os fonogramas originais de Kadior Demb, primeiro álbum da banda gravado em 1979, porém nunca lançado. Esse percurso já é familiar (já vimos acontecer com Tinariwen, Konono, Mulatu, Amadou e Mariam, etc), mas estamos diante de verdadeiros virtuoses da polirritmia, que se esmeram nas tramas intrincadas do mbalax sem abrir mão da fluência nervosa e empolgante do improviso jazzístico.




Chelpa Ferro 3 e “Mesa de samba” – Chelpa Ferro (Mul.ti.plo, Brasil)
“…na primeira faixa, “Mesa de samba” (2009), o som é gerado por um aparelho montado com máquina de costura, arame, molinete de pesca, mesa de madeira, caixa de bateria e dímer. Quando o circuito é acionado, agita o fio de arame de forma a percutir sobre a caixa, gerando um batuque aleatório, realçado pelo zumbido da máquina. Por cerca de doze minutos, as guitarras de Arto Lindsay e Pedro Sá redobram a irregularidade das configurações rítmicas, conduzindo a tensão do improviso através da utilização de microfonias, acordes soltos e ruídos.” (http://materialmaterial.blogspot.com.br/2012/11/chelpa-ferro-chelpa-ferro-3-2012.html)



Shields, especialmente “Sleeping Ute” – Grizzly Bear (Warp, EUA)
De uma forma geral, considero Shields um disco à altura da discografia do Grizzly Bear, mas o aporte de “Sleeping Ute” sobressai em comparação não só ao que de melhor o grupo produziu até agora (“Lullabye”, “Plans”, “I Live With You”, “Ready, able”, “Cheerleader”), como indica possibilidades promissoras. Me refiro não somente à apropriação do folk rock americano dos anos 60 e 70, à invulgaridade dos climas, excelência na composição, instrumentação eficaz, mas também uma aproximação com os ritmos quebrados e com as modulações cada vez mais sutis da canção de Daniel Rossen.



“Kindred” – Burial (Hyperdub, Reino Unido)
“A cada lançamento, Bevan mostra que é mais do que um liquidificador de influências passadas, mais do que o hype que cerca seu nome, mais do que “a cena” pensa que ele é. Antes, parece que o produtor é, sobretudo, um desbravador, tal como os artistas do Juke, tal como Konono N.01, ou Shackleton, por exemplo. Uma espécie de cientista maluco em busca de batidas imperfeitas, degradadas, carregadas pelo pó dos automóveis, pela chuva eterna e pelo niilismo sombrio que alimenta os grandes centros urbanos europeus do século XXI.” (http://www.factmag.com/pt/2012/02/24/burial-kindred/)




Highlife Roots Revival e, especialmente, “Owusuwaa” e "Old Man Plants a Coconut Tree" – Koo Nimo (Riverboat, Gana)
Nascido em 1934 na região Ashanti de Gana, Koo Nimo foi para Londres, onde estudou ciências e buscou versar-se em uma série de gêneros musicais, desde o jazz até guitarra flamenca, etc. Hoje aos 80 anos, ele é o maior representante de uma vertente ancestral do highlife, a música palm wine (maringa, na Sierra Leona), cuja riqueza rítmica e melódica pode ser apreciada nesta gravação. Gravado em Accra, no intervalo de sua residência na Universidade de Washington, Highlife Roots Festival conta com a presença virtuosa do violão, percussões expressivas e cantos corais que entoam as melodias melancólicas criadas por Nimo. Gravada em homenagem à sua esposa que morreu em 1973, logo após perder o filho no parto. Ouça uma entrevista com o músico aqui.



“Sudden Moment” (Merzbow remix) – Neneh Cherry & The Thing (Smalltown Supersound, EUA/Suécia/Noruega/Japão)
O disco, anunciado de sopetão, tinha tudo para ser um estouro e resultou apenas interessante. Meses depois, desponta um álbum de remixes. Lá no meio, o nome do japonês Masami Akita, mais conhecido como Merzbow, não surpreende. Afinal trata-se do mestre da cacofonia, perfeitamente adequado ao universo de bizarrices do trio sueco-norueguês. A faixa é "Sudden Moment", composição de Gustafsson claramente influenciada pelas canções impressionistas de Charles Mingus e Ran Blake. Merzbow então se beneficia do andamento trôpego impresso por Paal Nilssen-Love, valoriza os gritos e gemidos, aumenta uma frequência ou um canal e introduz aos poucos seus objetos cacofônicos por entre os componentes do arranjo original. O resultado é simplesmente acachapante, como o leitor pode escutar abaixo.

  

***

2012: 50 ÁLBUNS


Aaron Dilloway

















Aaron Dilloway – Modern Jester
Actress – RIP
Alexei Lubimov, Natalia Pschenitschnikova – John Cage: As It Is
Andy Stott – Luxury Problems
Black Pus – Pus Mortem
Catherine Christer Hennix & Chora(S)San Time-Court Mirage – Live At The Grimm Musem: Volume One
Chicago Underground Duo – Age of Energy
Chinese Cookie Poets – Worm Love
Dirty Projectors – Swing Lo Magellan

Dona Onete













DJ Rashad – Teklife Vol 1: Welcome To The Chi
Dona Onete – Feitiço Caboclo
Dr. John – Locked Down
Ekoplekz – Skalectrikz
Eli Keszler – Catching Net
Eliane Radigue – Feedback Works
Fausto Romitelli – Anamorphosis
FAY – Din
Fenn’O Berg – In Hell
Fushitsusha – Mabushii Itazura Na Inori
Hafez Modirzadeh – Post-Chromodal Out!


Hafez Modirzadeh















Jam City – Classical Curves
Janka Nabay & The Bubu Gang – En Yay Sah
Jim O'Rourke – Old News #8
John Zorn – Rimbaud
Keiji Haino, Stephen O'Malley, Oren Ambarchi – Nazoranai
Keiji Haino, Jim O'Rourke, Oren Ambarchi – Imikuzushi
Kevin Drumm – Relief
Keyvan Chemirani – Melos: Mediterranean Songs
Kim Kashkashian – Kurtág/Ligeti - Music for Viola
KTL – V
LHF – Keepers of the Light

Madteo

















Liars – WIXIW
Madteo – Noi No
Maga Bo – Quilombo do Futuro
MarginalS – MarginalS 2
Mariel Roberts – Nonextraneous Sounds
Moritz Von Oswald – Fetch
Mats Gustafsson, Paal Nilssen-Love, Mesele Asmamaw – Baro 101
Peter Brötzmann, Jason Adasiewicz – Going All Fancy
Psilosamples – Mental Surf
Raime – Quarter Turns Over a Living Line

Staff Benda Bilili


















Rhodri Davies – Wound Response
Ricardo Villalobos – Dependant And Happy 1 and 2
Shackleton – Music for the Quiet Hour/The Drawbar Organ
Staff Benda Bilili – Bouger Le Monde
Stephen O’Malley & Steve Noble – St. Francis Duo
The Caretaker – Patience (After Sebald)
The Orb (feat. Lee Scratch Perry) – The Orbserver in the Star House
THEESatisfaction – Awe Naturale
Weasel Walter, Mary Halvorson, Peter Evans – Mechanical Malfunction


2012: 100 FAIXAS

MC Beyoncé


















“128 Harps” – Four Tet
“37/3d” - Mark Van Hoen
“A bossa nova é foda” – Caetano Veloso
“A porrada come” – MC Beyoncé
“Alteração (Éa!)” – BNegão & Os Seletores De Frequência
“Applesauce” – Animal Collective
“Ascoltare Durante Il Pranzo Dopo la Noia” – Bemônio
“Ayesama” – Ebo Taylor
"Bakk Off" (feat. AK) – DJ Rashad
“Banished” – JJ Doom
“Big Beast” (feat. Bun B, TI, Trouble) – Killer Mike
“Biz R Us (Whore Powers Resolution)” – Madteo
“Black Metal Instrumental Intro Demo” – Russell Haswell
“Car” – Holly Herndon
“Cavity” – Rrose
“Chorumelody” – Psilosamples
“Clutch” – Pearson Sound
“Cranial Tap” – Sir Richard Bishop
“Crystalline” (Current Value Remix) – Björk
“Cuba Electronic” – Mala


Holly Herndon




















“Dance for You” – Dirty Projectors
“Destroy Him My Robots” – Young Smoke
“Die Schwarze Massai” – Ricardo Villalobos
“Ela Tá Beba Doida (beba Doida)” – Gaby Amarantos
“En la mano del payaso” – Chinese Cookie Poets
“Eu não estou dentro do seu copo” – Beach Combers
“Evidence” – Carlos Giffoni
“Flux” – Christina Kubisch
“F'Off” – Wiley x Flowdan x Riko x Manga
“Formations” (Tristan Perich) – Mariel Roberts
“Four Gardens” – Julia Holter
“Hadue” – Kyoka
“Honey Badger” – EPROM
“How We Relate to the Body” – Jam City
“Hustle Bones” – Death Grips
“I Go Boom” – Addison Groove (DJ Rashad remix)
“Immigrant Visa Part II” (feat. MC Zulu) – Maga Bo
“Issue Generator” (for Eliane Radigue) – Keith Fullerton Whitman
“Jardin” – Actress

Psilosamples




















“Kill Me with Bongo” – Janka Nabay
“Kippschwingungen part 8” – Frank Bretschneider
“Kuluna/Gangs” – Staff Benda Bilili
“Laid Back” – FaltyDL
“Last Spring: A Prequel” – KTL
“Lurch” – Pole
“Madrid” – Eleh
“Maelstrom” – Steinvord
“Máquina de Ritmo” – Gilberto Gil
“Maybe That Was It” – Dirty Projectors
“Mean Streets Part 2” – Falty DL
“Meikyu” – Voices From The Lake
“Mestiça” – Gaby Amarantos (com Dona Onete)
“Meteorango Kid” – Psilosamples
“Meu Gosto Abraçado À Ilusão” – Leandro Lehart
“Meu Namorado é Maior Otário” – MC Carol
“Morfo” – Duplexx
“Nikels And Dimes” – Gonjasufi
“O sino da igrejinha” – Sambanzo
“Occlusion” – Keith Fullerton Whitman

THEESatisfaction




















“Patrya” – Negro Léo
“Pirol” – Pole
“Please Forgive My Heart” – Bobby Womack 
“Pulso” – Sobre a Máquina
“QueenS” – THEESatisfacton
“Questions Of Middle Distance” – Rhodri Davies
“Rello” (Hodgy Beats, Domo Genesis, Tyler The Creator) – Odd Future
“Ribeirão” – Rodrigo Campos
“Rima do angolano” – Amiri
“Sebenza” (feat. Okmalumkoolkat) – LV
“Seeds” – Georgia Anne Muldrow & Madlib
“Shadow I” – FAY
“Shatter All Organized Activities (Eat The Rich)” – Aaron Dilloway
“She’s IN Insurgency (Steve’s Lunch Blues)” – Drainolith
“Silent Song” – Daniel Rossen
“Silver Rain” – Ekoplekz
“Somebody” – Janka Nabay & The Bubu Gang
“Son Of A Bitches Brew” – Acid Mothers Temple & The Melting Paraiso U.F.O.
“Ssseeeeiiiiii” – Ben Vida
“Steelz” – Amen Ra and Double Helix

Janka Nabay


















“Streuung Ein Winterabend In Der Bowman Suite” – Atom™
“Tapenade” – Pursuit Grooves
“The Blues (It Began In Africa)” – Romare
“The Glass Axe” – Alexander Tucker
“The Metallurgist” – Squarepusher
“The Praetorian” – Shed
“The Rakehell” – Earth
“Toman Teti M’Ba Akala” – Sierra Leone's Refugee All-Stars
“Trace” (featuring Sakamoto) – Fennesz
“Treme Terra” – Curumin
"Up the box" – Andy Stott
“V2” – Carter Tutti Void
“Vão” – Sobre a Máquina
“Venice Dreamway” – Dean Blunt and Inga Copeland
“War Time” – Hot 8 Brass Band
“Weird Ceiling” – Zammuto
“Who” – David Byrne & St. Vincent
“Wish You Better” – Shackleton
“WIXIW” – Liars
“Woy tiladio” – Sidi Touré 
“Yangisa” – Moritz Von Oswald
“Zincali” – Kelan Philip Cohran And The Hypnotic Brass Ensemble


2012: 20 EPS/SINGLES/12''/SPLITS

Ugandan Methods


















2562 – Air Jordan EP
Addison Groove – DJ Rashad/Doc Daneeka Remixes 12”
Burial + Four Tet – Nova
Deepchord – Tonality Of Night 
Diamond Version – EP1
Diamond Version – EP2
Falty DL – Mean Streets Part 2
Hype Williams – London 2012
Jameszoo – Faaveelaa EP
M. Takara – Baladas EP
M. Takara – Fantasma EP
Peaking Lights – Lucifer in Dub
Pole – Waldgeschichten 2
Pole – Waldgeschichten 3
Romare – Meditations on Afrocentrism
Shed – The Praetorian/RQ-170 12”
SND/NHK – Split
Steinvord – Steinvord Ep 
Throwing Snow – Clamor EP
Ugandan Methods – A Cold Retreat


2012: 20 COLETÂNEAS/RELANÇAMENTOS/ANTOLOGIAS:

Karantamba


















Ahmed Vall – Saphire D'Or Mixtape
Akos Rozmann – 12 stationer VI
Can – The Lost Tapes
Captain Beefheart – Bat Chain Puller (2012 [1976]; Zappa, Eua)
Charles Mingus – The Jazz Workshop Concerts 1964-65
Eleh – Retreat, Return, Repose
Eric Dolphy Quartet In Europe. The Complete 1961 Copenhagen Concerts
F.C. Judd – Electronics without tears
Guelewar – Touki Ba Banjul: Acid Trip from Banjul to Dakar
John Cage/David Tudor: Shock Vol. 1, 2 e 3
Tod Dockstader – Electronic Vol. 1 – Recorded Music For Film, Radio & Television
Karantamba – Ndigal
Le Super Borgou De Parakou – Bariba Sound
The Funkees – Dancing Time, The Best Of Eastern Nigeria’s Afro Rock Exponents 1973-77
Regis – Death Head Said
Steve Lacy – The Sun
Sufjan Stevens – Silver & Gold
Tunji Oyelana – A Nigerian Retrospective 1966-79
William Parker – Centering: Unreleased Early Recordings 1976-1987
William Basinski – The Disintegration Loops Vinyl Box Set


2012: 20 SHOWS


Peter Brötzmann



















Edwin Prévost e John Butcher – CCSP/SP
BNegão e Marcelinho da Lua – Casa Rosa/RJ
Chinese Cookie Poets – Audio Rebel/RJ
Dirty Projectors – Circo Voador/RJ
Gabriel Muzak – Audio Rebel/RJ
Gang do Eletro – Sónar SP/Anhembi/SP
Hype Williams – Novas Frequências (Beco 203/SP)
John Zorn Masada – Espaço Tom Jobim/RJ
Kevin Drumm – Audio Rebel/RJ
Kraftwerk – Sónar SP/Anhembi/SP
KTL – Sónar SP/Anhembi/SP
Metá Metá – Oi Futuro Ipanema/RJ
Mogwai – Circo Voador/RJ
Paulinho da Viola e Velha Guarda da Portela – Parque Madureira
Peter Brötzmann, Steve Noble, John Edwards – SESC Belenzinho
Pole – Novas Frequências (Beco 203/SP)
Rustie – Sonar SP/Anhembi/SP
Seun Kuti – Virada Cultural/SP
Thurston Moore – Circo Voador/RJ
Tony Allen – Circo Voador/RJ

Hype Williams

















Bernardo Oliveira