sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Retrospectiva 2013: 12 funks (Marcelo Mac/Raoni Mouchoque)

MC Nego do Borel 




















Os funks cariocas que, segundo os organizadores, "fizeram o inferno girar em 2013." Lista elaborada por Marcelo Mac, da equipe Eu Amo Baile Funk e Rio Parada Funk e por Raoni Mouchoque, da Rádio Legalize. Algumas notas: o vocal anasalado de Tarapi; algumas letras não se preocupam tanto com a rima, mas com o ritmo; a infusão ragga do MC Romântico, o sotaque latino do Byano DJ, a tendência à mistura; prevalece a utilização do MPC, mas misturada a outras dinâmicas de discotecagem, como se pode observar nos "aquecimentos." Prevalece também os temas sexuais, mas a dupla MC Dollores e Fabinho Zona Sul fez lembrar o funk de protesto dos 80/90 com "Caso Amarildo." Eu acrescentaria o "funk cracodélico" de Mc Carol em "Bateu uma onda forte", mas de fato não parece tão popular quanto os que se seguem. Também ficou de fora o "funk ostentação" produzido em São Paulo, outra vertente passível de atenção. Devo agradecer ao Mac e ao Raoni pela força. Até 2014.   


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MC Cyclone - Sarra pra esquerda, sarra pra direita





MC Tchulin - Tira a mão de mim, deixa eu vacilar





MC Romântico - As novinha tão sensacional





Mc's Fanny e Boneko - É muito bom fazer na onda 




MC Tarapi - Novinha Safadinha





MC Marcelly - Bigode Grosso




MC Magrinho – Tom e Jerry




MC Nego do Borel - Cheguei no Pistão




Bonde das Maravilhas - Aquecimento das Maravilhas




Byano DJ Montagem



Aquecimento do Outro Mundo




MC Dollores & Fabinho Zona Sul - Caso Amarildo


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Raoni Mouchoque (Radio Legalize) e Marcelo Mac (Equipe EU AMO BAILE FUNK/RIO PARADA FUNK)



quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Retrospectiva 2013: 10+vários (Thiago Miazzo)























São dez e vários. Alguns nasceram em 2013, outros me acompanharam bem de perto ao longo desse ano. Uns chegaram na minha vida só agora, outros eu já conhecia e me arrependi amargamente por não ter listado em nenhum outro top álbuns que eu já tenha feito. Enfim, divirtam-se com a leitura como eu me diverti fazendo essa listinha. Queria ceder ao impulso e praguejar contra esse ano, mas não o farei. Trilhando um caminho não tão suave, aprendi a amar mais, cresci como músico e, conforme a lista a seguir comprova, ouvi ótimos discos. Senhor 2013, tudo o que você precisa é ser amado. Mas não sou eu quem vai te dar amor. Apenas o perdôo.

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Os 10 de 2013:


Alberich – Turned Back (Hospital Productions, EUA)




Explorando beats lineares e sobrepostos, Lapke flerta com a ambiência do dub techno com a mesma naturalidade que busca referências vocais nos primeiros trabalhos do Killing Joke. (...) Distorcido na medida certa, perturbadoramente alto, claustrofóbico, rítmico sem fugir do universo do artista, barulhento sem fazer do registro um álbum com cara de poucos amigos. Um disco feito pra dançar — na festa mais down e miada do mundo.



Oneohtrix Point Never – R Plus Seven (Warp Records, Reino Unido/EUA)


























“Imprevisível e altamente visual, R Plus Seven conserva a atmosfera densa dos primeiros trabalhos do Oneohtrix Point Never, agrega a influência dos amigos Ferraro e Tim Hecker e flerta com o hipermodernismo da geração pós-internet (...)  Trata-se de um álbum que se espalha de forma sutil pelo ambiente, preenchendo cuidadosamente cada canto da sala, misturando-se aos ruídos que emanam de toda a tecnologia que nos cerca.


Vermes do Limbo – Adeus Igapó (s/g, Brasil)


“A ausência (ou a perda de uma parcela considerável) de som ambiente fez com que eu passasse a encarar com receio qualquer tipo de registro da banda. Ok,  poderiam gravar quantos bootlegs quisessem, mas nada dentro de um estúdio. Acabei encontrando com o Adeus Igapó, e aí já não tinha como voltar atrás. (..) Tem muito de erudição, mas também tem muita seqüela de quem passou a adolescência cheirando cola, bebendo dreher e ouvindo F.Y.P. - e essa que é uma das grandes sacadas.”


Jacob Kirkegaard – Conversion (Touch, Reino Unido)


O que eu mais admiro no artista Kirkegaard é o pleno domínio dos recursos que ele se dispõe a usar. De instrumentos acústicos a reverberação natural, nada soa como deveria. Desafiador.


Coastal Café – Yvette (Zeon Light, Suécia)


























Duo formado por Marilyn Petridean e Martin Lija. Yvette compila o material gravado pela dupla entre 1996 e 2000, vinte e quatro faixas curtas de um noise-pop docinho e lo-fi. Apesar de a gravação mais recente beirar os 14 anos, o som do Coastal Café permanece atual, encontrando em artistas como Free Weed e Boy Snacks a continuação de seu legado.


Rainforest Spiritual Enslavement – Folklore Venom (Hospital Productions, EUA)



Por muito tempo um projeto anônimo da Hospital Productions que mais tarde se mostrou mais uma alcunha de Dominick Fernow.  Death Industrial e Techno conduzem o ouvinte a um ambiente de ocultismo, superstições e aquela temática vodu charmosa consolidada pelo Cut Hands.


DEDO – Aldeia Global (s/g, Brasil)

























Capitalismo global, a gente se liga em você. Meu favorito de toda a discografia do Dedo, Aldeia Global soa como o Mortuário e Vektroid fechados em um quarto, sampleando o que existiu de mais bagaceira na televisão brasileira dos anos 90. Vaporwave à brasileira com um toque de Throbbing Gristle.


Cream Juice – Man Feelings (Orange Milk Records, EUA)


Rítmico e imprevisível, Man Feelings faz uso de fontes  provenientes das gravações de campo, misturadas aos ruídos eletrônicos, sintetizadores e vocalizações precisas. Não se parece com nada, e isso assusta a maioria das pessoas. Infelizmente, um grande álbum fadado a ser apenas mais um link na Noise-Arch.


Trabajo & Madrugapha - Split Tape (Tomentosa Records, EUA)


















Música para fechar os olhos e não pensar em absolutamente nada. A trilha sonora para quem procura empurrar os problemas com a barriga. Em meio a tantos discos de difícil digestão que surgiram neste ano (Tannenbaum, Marriage of Metals e Preto Sobre Preto, para citar alguns) uma audição preguiçosa e descompromissada não faz mal a ninguém. 


Prismcorp Virtual Enterprises - Home™ (Beer on the Hug, EUA)


Em meio a tanto vaporwave de gosto duvidoso surge o Prismcorp Virtual Enterprises, lançando dois cassettes – quase que simultaneamente -  pela Beer on the Rug. Ostenta o selo de qualidade New Dreams LTD, coletivo que apresentou ao mundo o Macintosh Plus, Laserdisc Visions, entre outras pepitas.

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Quer mais 2013?

Daniel Menche "Marriage of Metals", Kevin Drumm "Tannenbaum", Chris Watson  "In St Cuthbert's Time",  Inga Copeland "Don't Look Back, That's Not Where You're Going", Marina Rosenfeld "P.A./Hard Love", Epicentro do Bloquinho "Hegelianos de Direita", -notyesus> "Preto Sobre Preto", Kanye West "Yeezus", Aaron Dilloway "Siena", Fred P "Reach", BDOH001/BDOH002, "Newbreed Vibes Vol IV", Summer of Haze  "Ω†Р∆ЖΣНИΣ З∆К∆†∆ 8 ΩКН∆Х СƱПΣРМ∆РКΣ†∆".

Não são de 2013, mas estiveram comigo: 

Tommy Wright III "Memphis Massacre", DJ Paul & Lord Infamous "Come With me 2 Hell", Da Koopsta Knicca "Da Devils Playground: Underground Solo", D.O.N. "Under Pressure", Black Star "Mos Def & Talib Kweli are Black Star", Mos Def "Black on Both Sides", Slowdive "Souvlaki", Spiritualized "Ladies and Gentlemen we are Floating in Space", Godspeed You Crack Whore "Danger Zone", Dj Yo-Yo Dieting "Regurgitation as Birth", Diplo "Express Yourself", XXYYXX, Burial "Untrue", Salem "King Knight", NIKE7UP, New Dreams LTD Initiation Tape, Okkulte Stimmen - Mediale Musik, How Can I Keep From Singing, Gr†LLGR†LL "CD-R".


Thiago Miazzo
 

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Retrospectiva 2013: 7+1 (J-p Caron)






































O três, em latim tres, se ele remete ao TRANS- da 'transcendência', indica a vocação da circuminsessio trinitária para superar a si própria. Em que sentido? Na direção do Quatro. Mas a Trindade torna-se então tri-unidade: segundo o axioma de Maria, a profetisa, ‘Um engendra o Dois, o Dois engendra o Três e o Três, o Um enquanto Quarto.’ (...) Mas se o Um 'quarto' não se contenta de olhar para o passado, se ele se dobra sobre si próprio para decifrar o seu futuro, o que obtemos? O Sete. E o ciclo septário se combina ao ciclo ternário, eis o que, segundo Jacob Boehme, funda o universo. “ (Daniel Charles, Musiques Nomades, p. 38)

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Não gosto de listas de fim de ano. Todos os meus amigos sabem. Sim, fazem-se listas de coisas desde que o mundo é mundo e eu sou um desses, com meus paideumas.  A discussão sobre o paideuma foi uma das primeiras que tive com o Bernardo, cujo texto me incitou a fazer esta lista e deixar estas questões. 

Mas há uma diferença. Paideumas não pressupõem uma limitação temporal. Não há paideuma do ano. E mais: claro, a lista é uma tentativa de delimitar não apenas o que é retido como relevante em um determinado contexto, como também de selecionar histórias possíveis- linhas a serem desdobradas do que foi uma vez selecionado. Penso que essa história é avessa a listas de-final-de-ano, resolvendo-se em um tempo mais estirado, porém simultâneo. Somos simultâneos do passado que escolhemos. Não há porque deixarmos que o calendário defina nossos limites.

A lista de final de ano também pressupõe a categoria sobre a qual ela versa. Em outras palavras, listas de discos, listas de shows, listas de listas. Penso que isso ao invés de propor uma nova história confirma o hábito: por que diabos em plena era da internet ainda ouvimos música empacotada em álbuns, simulacros do antigo LP de vinil? É bem verdade que começam a aparecer outras formas (podcasts, vídeos do youtube, peças isoladas, etc) nas listas. Mas ainda é minoria. A lista se torna assim refém da situação e, ao invés de nadar contra a maré, a confirma. 

Faço aqui portanto minha lista de acontecimentos musicais do meu ano. Não necessariamente os melhores. Melhor” é um termo pobre de sentido. Prefiro dizer que foram os que me fizeram viver.
Acontecimentos, bem entendido, pode ser qualquer coisa. Neste sentido, é também pobre de sentido. Mas sua pobreza abre para o comparecimento de quaisquer particulares.

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Antimatéria (08/09/2013, Superuber, RJ)























Iniciativa de Chico Dub e Bernardo Oliveira, o Antimatéria se propôs a reunir alguns dos projetos mais “expressivos” da cena  carioca. As aspas são minhas, já que entrei de gaiato com meu (e do amigo Rafael Sarpa) notyesus>  nessa, em hiato havia algum tempo.

O fato é que o festival foi incrível, com shows intensos e tecnicamente bem resolvidos. 

Destaco os shows do Ceticências e do Baby Hitler.


Baby Hitler. Filmagem: Gabriela Caldas (Olhos Cozidos)

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Perturbe (vários locais, Curitiba/PR)





Se eu fosse escolher um evento, seria este. Por motivos vários. Organizado pelo pessoal do selo Meia Vida e do Espaço Cultural P.A. em Curitiba, o evento se propunha a trazer a música de ruído e a performance a um mesmo espaço.  Vale a pena uma visita ao site para conferir o que foi programado e à página do Meia Vida (destaque meu para o projeto Cama Desfeita. Se esta fosse uma lista de discos, eles estariam na lista). 

Pude conviver por três dias com os amigos de São Paulo (Ugra, Afro Hooligans, Paralyzed Blind Boy, Thiago Miazzo, colaborador deste blog) que foram tocar e curtir o empadão, em casa de Mario Brandalise Brail (o yersiniose), a quem devo um bocado este ano.

O show do Corpo Código Aberto foi memorável. 

A lua estava cheia.



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Conversas com Guilherme Vaz

Conheço Guilherme Vaz há cerca de dez anos, quando fomos apresentados por uma professora minha da faculdade, Carole Gubernikoff. Mas demorou um tempo até que eu me engajasse em discussão com ele, o que aconteceu por email no ano passado 2012, estendendo-se até este ano de 2013. Tudo isso se transformou numa conversa que fui um dos acontecimentos do ano para mim e que foi publicada aqui no Matéria. Agradeço a ele pelos insights e pela música.



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Karlheinz Stockhausen em Paris


Meu amigo Claudio que sentava ao meu lado me diz:

- É o fim dessa forma de arte.

Talvez. 

Mas Trans permanece um monumento. Tudo está errado, tudo deveria dar errado, é arriscado é esdrúxulo, é estranho. E tudo fica de pé. Meu amigo Valério me disse que deveríamos sempre ir até o fim nas ideias. Ele diz que Stockhausen o ensinou isso.



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Lançamento  do Tannenbaum 

Sem ele eu não estaria escrevendo aqui. Foi minha primeira crítica feita para o Matéria porque me concernia pessoalmente. Kevin Drumm sempre foi, para mim, a boa competição. Aquele cara no qual você se espelha tentando fazer melhor (de novo este vocábulo problemático!). Enquanto praticante de música de longas durações com sonoridades prolongadas (vulgo drone) os discos de Drumm vem funcionando  para mim como verdadeiros tratados nesta arte, desmentindo aqueles que falam em um esgotamento da forma. Tannenbaum não é exceção. Se querem saber mais leiam a crítica.



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Encun
























Muitos não conhecem o Encun. Existe há dez anos, e a edição de 2012 inclusive foi feita no Rio de Janeiro, sob o total silêncio da imprensa e da cena da cidade. Este ano foi feito em João Pessoa, sob iniciativa do compositor e amigo Valério Fiel da Costa. Não se deixem enganar pelo nome Encontro Nacional de Compositores Universitários, o evento nada tem de oficialesco e é um verdadeiro antídoto a tudo o que há de coxinha na cena da música de concerto brasileira. Vale a pena pesquisar a história do Encun, que, juntamente com outras iniciativas, como o Ibrasotope, o Plano B, o Música Livre de Floripa, fizeram na última década a história da música experimental no Brasil (recentemente menciono também o Eimas, realizado anualmente em Juiz de Fora).

Encun 2012, no Rio de Janeiro: http://encun2012.wordpress.com/cronograma/

Destaque este ano para o show do Hrönir, grupo de Recife, que fez o que talvez seja o meu show favorito do ano (se esta fosse uma lista de shows): Massacre de golfinhos em Taiji.  



De chorar e trincar os dentes.

Disseram que a peça do parceiro Paulo Dantas foi demolidora, mas perdi o primeiro dia.
Pude bater pratos e fazer meu 8³- instalação/peça de oito horas e meia de duração (8x8x8)- pondo em prática a extensão temporal das peças drone anteriores (8’ para Giacinto Scelsi, ). Sanannda Acácia criou o ambiente visual, o que eu havia previsto desde que nos conhecemos no Perturbe. Não imagino mais a música sem ela.



Trecho da performance de 8³ em João Pessoa.

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Zbigniew Karkowski (1958-2013)

Giacinto Scelsi era obcecado pelo número 8. Caiu doente no dia 08/08/1988. Ele se dizia um meio para a realização de sua música, ao invés de o compositor da mesma.

Reservo aqui este oitavo lugar que é a unidade para além da multiplicidade do 7 (e também o primeiro sinal do infinito ∞) a um amigo que pensava parecido. Tenho certeza de que sua morte, assim como a sua vida, a despeito de toda a dor, foi uma experiência musical

In a very real sense then, at the core of our physical existence we are composed of sound and all manifestations of forms in the universe are nothing else but sounds that have taken on a visible form.

Para repetir as palavras de John Duncan:

Zbigniew always seemed utterly without fear. His final gesture, traveling for hours in a canoe into the Amazon jungle directly after flights from Europe lasting nearly 24 hours, to be treated by a Shipbo shaman is perfectly in keeping with everything else he did. All the way, no compromise. His final wish, if the treatment failed, was to be left in the jungle to be eaten. No ceremony, no grave. If it succeeded as he hoped, he said he would bring back stories of the adventure. Somehow, I still expect to hear them.

“De alguma forma, ainda espero ouvi-las.”

Talvez as ouçamos como música.

PS>
Alguns amigos a quem mostrei esta lista me cobraram a inclusão do I Festival de Ruído, que organizei na Audio Rebel no último dia 15, juntamente com Cadu Tenório. Normalmente não incluo minhas próprias produções nas minhas críticas, mas me parece conveniente pontuar que tanto o Festival de Ruído quanto o BHNoise, ocorrido na semana anterior em Belo Horizonte, organizado pelo Henrique Iwao e pela Seminal Records, teriam sido bons tributos a Zbigniew Karkowski na semana de seu falecimento.

Deixo os links para ambos os eventos:

J-p Caron

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Retrospectiva 2013: 75 discos (Bernardo Oliveira)



algumas observações:

listologia (ou listomania) é fenômeno de época, que no entanto se constitui como um hábito antigo.

desde que o mundo é mundo, listam-se malefícios, sortilégios, desastres naturais, animais venenosos…

no âmbito da crítica atual, as listas traçam cartografias de experiências, mesmo que o autor não atente para isso.

às vezes, sem perceber, reivindica-se universalidade para algo que é necessariamente subjetivo.

é nadar contra a maré. 

listas funcionam mais como dispositivo referencial e troca de informações.

mas essa prática é também uma tentativa de fixar certas escolhas, certos caminhos.

por isso, às vezes é preciso negociar, cortar os dedos, plenejar estratégias.

por exemplo, ao longo do ano escutei mais “isaurinha” e “helena” (passo torto) do que “atlas” (dawn of midi).

mas me pareceu importante fixar o nome do trio nova-iorquino pelo conjunto do trabalho, inusitado e impactante.

assim, cada lista possui algo de misterioso, que não se esgota nos afetos intraduzíveis do autor.

os desdobramentos teóricos de uma sede constante. alguns interesses particulares. prazer, sobretudo prazer diante de um manancial inesgotável de expressões sonoras.

a elaboração das listas implica no desejo, nem sempre declarado, de troca e conhecimento.

nem mais, nem menos.

bernardo oliveira

ps.: com a galopante invasão dos comerciais anti-clímax no youtube, preferi deixar a pesquisa com o caro leitor. muita indicações podem ser encontradas no soundcloud ou no bandcamp. de resto, é aquilo: soulseek é meu pastor e nada me faltará. 

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das galáxias (sem ordem)


Lonnie Holley – Keeping a Record of It (Dust-to-Digital, EUA)


“Six Space Shuttles And 144,000 Elephants”: ruídos explosivos e, na sequência, o teclado ingênuo acompanhado por precários presets de bateria e um canto cuja procedência não se identifica imediatamente (Caribe? Nova Orleans?). Em “The Start of a River’s Run (One Drop)”, o cantor é acompanhado apenas por uma kalimba com efeito (delay?) durante sete minutos. Ai vem o nocaute: “Mind On”, seguida de “Sun & Water”, “From the Other Side of the Pulpit” e “Keeping a Record of It”, ambas com a participação de Bradford Cox. Ao fim do disco, a plena certeza de que Lonnie Holley é um artista para se acompanhar de perto.


Passo Torto – Passo Elétrico (YB Music, Brasil)

























Tendência saudável dessa turma de São Paulo: a falta de respeito com as tradições petrificadas, o desinteresse pelas sonoridades padronizadas, seja da MPB, do samba ou do rock. A poética cinzenta canta a solidão de um homem só (“Homem Só”), narra as desventuras do “símbolo sexual”, desconstrói os periquitos doutrinados da MPB (“Passarinho Esquisito”), canta outros nomes de mulher (“Helena” e “Isaurinha”) e termina com uma gargalhada homérica (“Rárárá”). O que importa é revirar o corpo moribundo da MPB, injetando-lhe a energia de outras sonoridades, reinventando seus mitos e canções.


Dawn of Midi – Dysnomia (Thirsty Ear, EUA)

























Já nos primeiros minutos revela-se o estranho enredo: músicos de jazz, munidos de seus instrumentos tradicionais, compõem a partir da emulação de células rítmicas do techno e demais batidas eletrônicas. A premissa é dura e, aparentemente, deixa pouco espaço para o instrumentista. Porém, o resultado é miraculoso: o trio consegue conciliar enredo cerebral com execução milimetricamente ensaiada, mas que nunca soa estudada. Como conciliar conceito tirânico e fluência expressiva? E, no fim das contas, pouco importa se a música é “acústica” ou “eletrônica”, pois estamos no terreno da indeterminação, da insegurança. E estamos bem.


Mammane Sani et son Orgue – La Musique Electronique du Niger (Sahel Sounds, Níger/EUA)

























Legendário tecladista nigerino, Mammane Sani Abdullaye começou a tocar órgão há quase 40 anos, mas só gravou seu primeiro e único álbum em 1978. Lançado agora pelo selo Sahel Sounds, o disco é um testemunho de uma sonoridade e de uma maneira de compor muito próprias. Muitas das faixas do disco são traduções atualizadas de canções antigas, ora as baladas polifônicas de Woodabee, ou os cantos pastorais do deserto. Poucos elementos, frequências improváveis e a valorização do silêncio, evocam o vazio da paisagem do deserto.


The Stranger – Watching Dead Empires in Decay (Modern Love, Reino Unido)

























Leyland James Kirby, ou The Caretaker, ou V/Vm, ou Notorius P.I.G., ou The Stranger, entre tantos outros pseudônimos. O que isso significa? Se você pensou: “ora, para cada projeto, uma sonoridade, certo?” Não necessariamente. No caso do The Stranger, um de seus projetos mais antigos, trata-se de um pseudônimo sujeito a mudanças internas. Seguindo a versatilidade de seus trabalhos como Leyland Kirby, sobretudo a série Intrigue And Stuff, Watching Dead Empires in Decay traz uma paleta sonora eclética — onde se pode ouvir até mesmo algumas percussões que se podem chamar de "regulares". 


Joachim Nordwall – Soul Music (Entr’acte, Reino Unido)

























O produtor sueco Joachim Nordwall é responsável pela iDEAL Recordings, membro do The Skull Defekts e, este ano, editou Monstrance, parceria com Mika Vainio. Mas foi em outubro, após escutar Soul Music, que realmente comecei a prestar atenção em seu trabalho. Não, não se trata daquele balanço negro norte-americano; a “soul music” de Nordwall é repetitiva, cíclica, mas não é fria. Com Jean-Louis Huhta nas percussões e operando o arsenal eletrônico-digital, composto por sintetizadores analógicos, geradores de sinais e demais efeitos, Nordwall explora intensidades e texturas com mão de ferro e inspiração.


Marina Rosenfeld  – P.A./Hard Love (Room40, Austrália)

























Entre 2009 e 2011, a artista americana Mariana Rosenfeld organizou uma instalação que consistia em um soundsystem customizado que deveria soar em um espaço monumental. Batizada simplesmente como “P.A.”, a instalação criava um ambiente multi-articulado, contando com o arsenal sonoro formado por caixas de graves (subs), microfones que realimentavam o som ambiente e sons eletroacústicos. Em 2012, Rosenfeld convidou a vocalista jamaicana Warrior Queen e a celista japonesa Okkyung Lee para acompanhá-la em uma versão gravada do projeto. A julgar por seu trabalho, Rosenfeld é uma artista que transita nas fronteiras, mas sua combinação de drone e ragga é um dos grandes achados desse ano.


Rob Mazurek Octet – Skull Sessions (Cuneiform Records/Submarine Records, EUA/Brasil)

























Formado a partir de uma combinação do São Paulo Underground com o Starlicker, o Rob Mazurek Octet é forma pelo baterista John Herndon, o vibrafonista Jason Adasiewicz, o flautista Nicole Mitchell, Guilherme Granado nos teclados e eletrônicos, Carlos Issa (Objeto Amarelo) na guitarra e nos eletrônicos, Maurício Takara na percussão e cavaquinho e Thomas Rohrer na rabeca e no saxofone. Em 73 minutos, o octeto conduz o ouvinte por cinco faixas que tanto podem se associar à noção geral de jazz (isto é, de improviso), como mantém laços criativos com duas ou três vertentes da música instrumental dos anos 70: a fase elétrica de Miles; o êxtase da “fire music”, e a música brasileira dos anos 70. Um time formado na base da amizade, o que se reflete na fluência com que passam do improviso à execução dos temas, do ruído à melodia mais singela, da cornucópia sonora aos detalhes mais imprevistos.


Matana Roberts – COIN COIN Chapter Two: Mississippi Moonchile (Constellation, EUA)

























Lançado em 2011, COIN COIN Chapter One: Gens de Coleurs Libres, obteve destaque na imprensa especializada ao sintetizar jazz, cantos e declamações, relacionando de maneira imprevista memória, som, imagem e poesia. A intenção é ressignificar os traços da cultura diaspórica americana como um dispositivo criativo endereçada ao futuro. O capítulo dois aprofunda esta pesquisa, substituindo as vozes do primeiro pela exploração de dinâmicas instrumentais caóticas, como se absorvesse a energia primordial do jazz que era executado nas ruas de New Orleans nos primórdios do século passado.


RP Boo – Legacy (Planet Mu, EUA)

























Neste exato momento, quando dois ou três artistas oriundos da cena juke/footwork de Chicago se destacam — a saber, a dupla Rashad & Spinn e Traxman — uma olhada superficial sobre as produções mais recentes demonstram a gradual acomodação do estilo aos compassos marcados do R&B, do hip hop, do techno. Legacy vai em outra direção, retomando a aceleração do juke e reaproximando-o do techno. Eis um álbum que pode ser decisivo para os próximos passos dos produtores do Footwork — afinal, nada como um passo atrás, um olhar sobre o que foi “legado”, para indicar, ou ao menos sugerir os passos seguintes.


Kevin Drumm – Tannenbaum (Hospital Production, EUA)

























A materialidade evidente das “coisas” de Kevin Drumm (assim o autor se refere às suas composicões), resulta da fricção entre o mundo interno e o mundo externo. Sim, Drumm é um solipsista convicto e Tannenbaum uma plataforma apta a deixar-se imprimir por experiências materiais concretas, como o inverno, a umidade, a eletricidade. Ou, ainda, se se preferir, a música concreta, a acusmática, o drone. Uma audição que requer tempo e dedicação, mas que recompensa o ouvinte com momentos de “stasis orgânica” que caracteriza o conceito de drone.


Mohammad – Som Sakrifis (PAN, Grécia/Alemanha)

























Formado pelos músicos gregos Coti K (contrabaixo), ILIOS (osciladores de frequência) e Nikos Veliotis (cello), o Mohammad opera um sistema de intermodulação — grosso modo, que consiste em obter sons inarmônicos, explorando o choque entre frequências não-lineares. Música erudita? Música eletrônica? Música de câmara? Drone? “Modern Classical”? Nenhum elemento qualitativo pode responder pela forma de Som Sakrifis, sem que se sacrifique (!) alguma característica fundamental.


William Winant – Five American Percussion Pieces (Poon Village, EUA)

























O percussionista norte-americano William Winant acompanhou meio mundo. A lista é tão impressionante quanto interminável: John Zorn, Mike Patton, John Cage, Iannis Xenakis e Anthony Braxton, entre outros. Percussionista de vanguarda com sensibilidade para se especializar em Lou Harrison e cair nas loucuras do Mr. Bungle, Winant coletou cinco gravações de peças para percussão, compostas por compositores americanos. Gravadas em épocas e locais diferentes, Five American… pode servir de guia através da evolução do trabalho de Winant, um percussionista de vanguarda com sensibilidade para se especializar em Lou Harrison e cair nas loucuras do Mr. Bungle. As composições são de autoria de Michael Byron (“Trackings I”, Toronto 1976), Alvin Curran (“Bang Zoom Excerpt”, Oakland, 1995), James Tenney (“Having Never Written a Note for Percussion”, Oakland, 2013) e Lou Harrison (“Song of Quetzalcoatl”, Berkeley 1993 e “Solo to Anthony Cirone”, Aptos, 2002). 


Daniel Menche – Marriage of Metals (eMego, Áustria/EUA)

























Daniel Menche é um compositor e pesquisador de Portland, cujo trabalho se concentra na seara dos sons abstratos — ruídos, névoas, nevascas. Ano após ano, o compositor vem expondo ideias e experiências sonoras em relação as quais é difícil ficar indiferente. No caso de Marriage of Metals, trata-se da manipulação dos sons metálicos do gamelão através de efeitos como o fuzz e a distorção. Utilizando-se quase que exclusivamente do gongo — esfera rígida de aço, fundamental em um ensemble de gamelão — Menche conduz o ouvinte por um contínuo sonoro situado entre a força telúrica do metal e a firme consciência de compositor. 


Body/Head – Coming Apart (Matador, EUA)

























Quando o Sonic Youth encerrou as atividades, muitos apostavam que Lee Ranaldo e Thurston Moore retomariam seu trabalho experimental, o que só se confirmou no caso do segundo. Mas quem diria que Kim Gordon reapareceria com dois discos e um EP em modo totalmente free, explorando drones calcados na estridência das guitarras distorcidas e dos feedbacks? Ao lado de Bill Nace, parceiro de Thurston Moore, Paul Flaherty e Joe McPhee, Gordon gravou um disco sem meias palavras ou meias intenções. Coming Apart começa com o bordão: “I can only think of you in a asbtract”, e prossegue elaborando de forma milimetricamente desajeitada, uma poética entre a dor e a afirmação do feminino. Um disco de despedida, como deixa claro o título.


Phil Niblock – Touch Five (Touch, Reino Unido)

























O compositor norte-americano Phil Niblock é reconhecido pela composição de longos drones, calcados na exploração das frequências e de microtons. Neste sentido, o presente trabalho contém dois métodos de exploração. O primeiro CD, que compreende as faixas “Feedcorn Ear” e “A Cage of Stars”, foi elaborado segundo o método com o qual Niblock trabalha desde 1968: instruir o músico a executar determinados sons, gravá-los e, através de justaposição, provocar uma variedade de microtons. Arne Deforce e Rhodri Davies foram os músicos escolhidos para essa tarefa. No caso de “Two Lips”, ao invés de instruir o músico a executar o timbre, Niblock lhe fornece a referência  através dos headphones, isolando-o de qualquer referiencia, o que, de certa forma, multiplica os microtons. Para se escutar alto e com altas doses de concentração.


–notyesus – Preto sobre preto (Toc Label, Brasil)























Pensando a música de ruídos no Brasil, não se pode afirmar que se trata de uma novidade, pois existem artistas operando nessa seara há muitos anos. Um dos trabalhos mais fortes (e mais antigos) que escutei esse ano na seara dos ruídos foi lançado pela dupla –notyesus>, formada pelos compositores Rafael Sarpa e nosso colaborador, J-P Caron. Gravado em 2007 no Plano B (Lapa/RJ) e lançado pela Toc Label de Thiago Miazzo (La Casa Cannibale, colaborador do Matéria) e Cadu Tenório (Sobre a Máquina, VICTIM!, Ceticências), Preto Sobre Preto é uma experiência calcada no controle e no excesso, que opera os volumes como informação sonora fundamental. Em “B-Alúria”, o poema de Gabriela Nobre é declamado por Sarpa de forma econômica, quase monótona. A capa de Fernando Lopes e Miazzo, funciona como metáfora do desafio: um papel-lixa sugere a materialidade do som, que se dirige não só aos ouvidos, mas, sobretudo, ao corpo. 


Otomo Yoshihide, Sachiko M, Evan Parker, John Edwards, Tony Marsh, John Butcher – Quintet/Sextet (Otoroku, Japão/Reino Unido)

























Otomo Yoshihide toca guitarra e recebe os amigos para uma jam sessions no Café Oto, Londres. O álbum se organiza em um quinteto, um sexteto e dois duos. Na primeira faixa, o “Quintet” com Sachiko M (aparelhos eletrônicos), Evan Parker (saxofone), John Edwards (contrabaixo) e Tony Marsh (bateria). No “Sextet”, acrescenta-se a presença de John Butcher, que nas faixas seguintes é acompanhado por Yoshihide e Sachiko M, respectivamente. O resultado é imprevisível, mesmo após a primeira audição, pois as audições seguintes iluminam outros diálogos travados por esses verdadeiros mestres da improvisação.


Ron Morelli – Spit (Hospital Productions, EUA)




Produtor norte-americano situado no Brooklyn, até então Ron Morelli era mais conhecido por ser o responsável pelo selo L.I.E.S.. Contudo, Spit, seu primeiro trabalho solo, mudou o rumo da prosa. Soa como um experimento dos mais estranhos na seara do techno lo-fi. Spit foi lancado através do selo de Dominck Fernow, o Hospital Productions, com quem Morelli compartilha, em suas próprias palavras, “o medo e a repulsa das relações humanas básicas”. Sonoridades diáfanas, batidas repetitivas e descontrole são alguns dos atributos desse trabalho que, ao traduzir o niilismo do autor, soa absolutamente particular.


Vermes do Limbo – Adeus Igapó (s/g, Brasil)

























Vinte e quatro minutos, dezenove faixas, nenhuma com mais de dois minutos e meio. A sonoridade geral é de baixa qualidade (lo-fi), a capa é estranha, exibe um monstrengo. Pouco se ouviu falar do Vermes do Limbo na música brasileira em 2013, mas, por favor, ouçam-me: essa é uma das maiores bandas em atividade no Brasil. Acumulando dezessete anos de estrada, oriundo da mesma Londrina que revelou Arrigo Barnabé, o Vermes do Limbo continua fazendo rock, mas com personalidade de sobra. Como eu dizia, são dezenove faixas distribuídas pelos parcos vinte e quatro minutos do disco, onde se pode escutar uma profusão de ideias instrumentais e conceituais. Rock lo-fi é muito pouco para definir o som do grupo. 


Justin Timberlake – 20/20 (1 of 2) (RCA, EUA)

























Justin Timberlake dá um grande passo na construção de seu pop futurista, turbinado pelos tratamentos preciosos da black music de Timbaland. A dupla condensou no mesmo caldeirão o pré-R&B do New Edition, algo das temáticas caras a seu passado boy band e, acima de tudo, a presença de Michael Jackson. De Michael, Timberlake toma emprestadas as formações vocais sinuosas, lapidadas a partir do legado do spirituals norte-americano; das boy bands, o universo romântico juvenil esfacelado pelas experiências amorosas da maturidade. Mas o barato todo está na concepção do arranjo e da instrumentação, que leva todo esse legado adiante.


Bassekou Kouyate & Ngoni ba – Jama Ko (Out Here Records, Mali/Alemanha)

























A sonoridade de Jama Ko é mais frenética e agitada que seus álbuns anteriores, Segu Blue (2006) e I Speak Fula (2009). Embora pareça bastante provável que tais características decorram de um conturbado contexto político — basta dizer que o álbum foi gravado no Mali, durante o golpe em março de 2012 — convém destacar os elementos propriamente musicais que contribuíram para o êxito de Jama Ko: punch das percussões e dos ngonis, sem prejuízo para as sutilezas das justaposições rítmicas e harmônicas. 


Omar Souleyman – Wenu Wenu (Ribbon Music, Síria/Reino Unido)

























Aqueles que, como eu, se acostumaram a pensar a música de Omar Souleyman sob a ótica do frenesi precário das gravações lançadas pela Sublime Frequencies, podem ter se surpreendido com a limpeza de Wenu Wenu. Porém, está tudo ali: o teclado “neurótico”, a voz impassível, o balanço simpático e vagabundo dos presets de bateria eletrônica. Todos os elementos reinterpretados pela produção segura de Kieran Hebden (Four Tet), que conseguiu extrair uma sonoridade mais robusta de cada um dos instrumentos. Na minha opinião, mais uma faceta admirável do artista sírio que já foi citado como "o rei dos batizados e casamentos".


Okkyung Lee – Ghil (Ideologic Organ, Japão/Áustria)

























Há pouco menos de dez anos, Okkyung Lee vem se destacando com seu trabalho que combina execução extraordinária do cello e aplicação de efeitos. Sua gama de participações inclui pelo menos três álbuns dessa lista, sua produção é volumosa, e entre seus parceiros de improvisação estão Evan Parker, Peter Evans, C. Spencer Yeh, entre outros. Também não é a primeira vez que ela grava um album completamente solo — há também I Saw The Ghost Of An Unknown Soul And It Said..., de 2008. Mas, parece que não há dúvidas, Ghil é um salto em seu trabalho. Sobretudo pela contribuição inestimável do produtor Lasse Marhaug, que gravou e editou apresentações da celista, usando microfones baratos, gravadores vintage e outras técnicas. 


Chris Watson – In St Cuthbert’s Time (Touch, Reino Unido)

























Membro fundador do Cabaret Voltaire, o inglês Chris Watson é outro artista que, ano após ano, opera no limite, nas fronteiras das muitas possibilidades estéticas. Músico e pesquisador, voltado para as gravações de campo (os chamados field recordings) e a manipulação de registros de sons naturais, cria ambientes que transitam entre o familiar e o espectral. Há dois anos, sob a inspiração de Pierre Schaeffer, gravou e editou sons extraídos de uma linha de trem no México, que resultou nas composições de El Tren Fantasma. Neste novo trabalho, Watson pesquisou o ambiente sonoro da ilha de Lindisfarne, tal como teria sido experimentada por São Cutberto de Lindisfarne, 700 anos a.C.. Um exercício intrigante de composição, situado entre a simulação e o registro.

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+ 50 sinistros

Äänipää – Through a pre-memory
Aaron Dilloway – Siena
Bill Orcutt & Chris Corsano - The Raw and the Cooked
Born Of Six – Svapiti
C. Spencer Yeh, Okkyung Lee, Lasse Marhaug – Wake Up Awesome
Ceticências – Pillow
Demdike Stare – Testpressing (4 volumes)
Dieuf-Dieul De Thiès – Aw Sa Yone Vol. 1
DJ Rashad – Double Cup
EMMplekz – Your Crate Has Changed 

eMMplekz

























Epicentro do Bloquinho – Hegelianos de Direita
Evan Parker, Craig Taborn, Sam Pluta, Peter Evans Rocket Science
Fire! – (Without Noticing)
Four Tet – Beautiful Rewind
Gabriel Saloman – Soldier's Requiem
Hailu Mergia & His Classical Instrument – Shemonmuanaye
Heatsick – Re-Engineering
Huerco S – Collonial Patterns
Hy Brazil Vol 2: New Experimental Music From Brazil
Idassane Wallet Mohamed – Issawat

Hailu Mergia

















Ikue Mori/Steve Noble – Prediction and Warning
James Plotkin/Paal Nilssen-Love – Death Rattle
John Butcher, Thomas Lehn & John Tilbury – Exta
John Zorn – Dreamachines
John Zorn & Thurston Moore – “@”
Julia Holter – Loud City Song
Keiji Haino, Jim O'Rourke, Oren Ambarchi – Now while It's Still Warm Let Us Pour in All the Mystery
M.I.A. – Matangi
Mats Gustafsson & Thurston Moore – Vi Är Alla Guds Slavar
Michael Pisaro – The Punishment of the Tribe by Its Elders

Keiji Haino















Mika Vainio & Joachim Nordwall – Monstrance
Miles – Fainted Heart
Morphosis – Dismantle
Mulatu Astatke – Sketches of Ethiopia
My Bloody Valentine – M B V
Pharmakon – Abandon
Porto – Odradek
Rashad Becker – Traditional Music of Notional Species Vol. I
Rob Mazurek Exploding Star Orchestra – Matter Anti-Matter
Roscoe Mitchel – Duets with Tyshawn Sorey

Richard Ribeiro (Porto)















São Paulo Underground – Beija Flors Velho E Sujo
Satanique Samba Trio – Bad Trip Simulator #3
Senking – Capzise Recovery
SK Kakraba Band
The Haxan Cloak – Excavation
The Thing – Boot!
VA – Livity Sound
Vampire Weekend – Modern Vampires Of The City
Wanda Group – A Slab About Being Held Captive
Yves de Mey – Metrics

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Coletâneas, Relançamentos, edições especiais
Ali Mohammed Birra (Ethiopiques 28) – Great Oromo Music
Dieuf-Dieul De Thiès – Aw Sa Yone Vol. 1
Ethnic Minority Music Of Southern China
Hailu Mergia & His Classical Instrument – Shemonmuanaye
Iannis Xenakis – GRM Works 1957-1962
Ilaiyaraaja (com Malaysia Vasudevan) – Ilectro!
Mark Ernestus presents Jeri-Jeri – Ndagga Versions
Mark Ernestus presents Jeri-Jeri – 800% Ndagga 
Kenya Special: Selected East African Recordings from the 1970s & '80s
Keysound Recordings Present… This Is How We Roll
Laraaji – Celestial Music 1978-2011
Lux / Sleeping Ute (Nicolas Jaar Remixes)
Neil Young – Live at the Cellar Door
Orchestre Poly-Rythmo de Cotonou – The Skeletal Essences of Afro Funk 1969-1980 Vol.3
Quasimoto – Yessir Whatever
Robert Wyatt – '68
The Group – Live
VA – New German Ethnic Music – Immigrant's Songs From Germany Electronically reworked
Wah Wah Watson – Elementary
Who's That Man – A Tribute To Conny Plank
Wicked Witch – Chaos: 1978-86
Kassidat, Raw 45s From Morocco
Zambia Roadside 2

Caixas
Can (box set)
Long Story Short - Brötzmann (curador)

Shows
DEDO + Bemônio – Quintavant/RJ
Pharoah Sanders & São Paulo Underground – Virada Cultural/SP
Rob Mazurek & Guizado – Virada Cultural/SP
Grizzly Bear – Circo Voador/RJ
The Thing & Joe Mcphee – SESC Belenzinho/SP
Arto Lindsay & Paal Nilssen-Love – Quintavant/RJ
Levy Lorenzo – Plano B/RJ
Passo Elétrico – Quintavant/RJ (julho)
Metá Metá – CCSP/SP
-notyesus> – Antimatéria /RJ
Ceticências – Antimatéria /RJ
Marc Ribot, Henry Grimes e Chad Taylor – Café Oto/Londres
Ken Vandermark & Paal Nilssen-Love – Café Oto/Londres
AMM – Café Oto/Londres
Acid Mother Temple – Corsica Studio/Londres
Ceticências/Chelpa Ferro – Circo Voador/RJ
Negro Leo + Baby Hitler + Léo Massacre – Circo Voador/RJ
Matana Roberts – Quintavant/RJ
David Toop + Chelpa Ferro – Novas Frequências/RJ
Miles – Novas Frequências/RJ
Stephen O’Malley – Novas Frequências/RJ
São Paulo Underground – Novas Frequências/RJ

Shows perdidos
Mike Watt – Studio RJ/RJ
Roscoe Mitchell – SESC Belenzinho/SP 
Arthur Lacerda, Cadu Tenório e Sávio de Queiroz – Audio Rebel/RJ
Duplexx – Plano B/RJ
Iva Bittová – Laura Alvim/RJ

Uma mixtape

Um soundcloud

Um bandcamp (dois)

Um videoclip
“Still Life”  Oneohtrix Point Never